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Sábado, 04 de Julho de 2026

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Manejo preventivo e consciente: ideal para controlar manchas foliares

20 de Abril de 2022 as 08h 00min

Especialista da Fundação MT fala sobre as estratégias de controle – Foto: Divulgação

A produção brasileira de grãos enfrenta grandes desafios em função das condições climáticas que são favoráveis aos cultivos, mas que também possibilitam o bom estabelecimento e desenvolvimento de pragas e doenças.

Nos estados onde é realizado ao menos o cultivo de primeira e segunda safra, como em Mato Grosso, considerar o sistema de produção como um todo quando se trata de manejo é ainda mais relevante. Isso porque patógenos, como o fungo causador da Mancha alvo (Corynespora cassiicola), tem como hospedeiro as culturas da soja e do algodão, por exemplo. E nas últimas safras, além dessa mancha foliar, outro patógeno tem crescido em importância nas lavouras de soja safra: o Crestamento foliar de cercospora (Cercospora spp).

Discussões sobre essas duas doenças na cultura da soja serão um dos temas do Encontro Técnico Soja, realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), de 26 a 29 de abril, em Cuiabá-MT. Os pesquisadores da área de Fitopatologia da instituição, Karla Kudlawiec e João Paulo Ascari, vão trazer dados de pesquisa da safra 2021/22; o tema terá ainda a contribuição dos especialistas, Sergio Brommonschenkel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Maurício Meyer, da Embrapa Soja, e Lucas Fantin, da Fundação Chapadão.

MANCHA ALVO

Os primeiros relatos da Mancha alvo em Mato Grosso datam da década de 80. Hoje, C. cassiicola está disseminado em todo o Estado. O fungo causador da doença pode sobreviver em restos culturais, em sementes de soja infectadas, e ainda permanecer viável no solo por anos. No sistema de produção soja/algodão ou no cultivo de espécies de crotalária há a multiplicação de inóculo do patógeno, que pode incidir de uma safra para outra, pois são duas culturas hospedeiras do fungo.

Na primeira safra 21-22 foi observado maior volume de precipitação e melhor distribuição das chuvas ao longo do período. As condições favoráveis para o desenvolvimento da Mancha alvo ocorrem durante a fase reprodutiva da cultura, quando há o fechamento do dossel. E entre os fatores que aumentam a severidade da doença no campo estão as condições prolongadas de alta umidade (> 85%), com períodos de molhamento foliar de 48 horas e as temperaturas elevadas. “Com a presença de inóculo na área, multiplicado pela cultura antecessora, e características ambientais favoráveis, tivemos a incidência do patógeno e a evolução da severidade da doença”, destaca Karla.

A especialista explica que, além do acompanhamento das previsões climáticas para a safra, o produtor deve considerar no planejamento fatores relacionados à escolha do material genético, levando em conta os diferentes níveis de sensibilidade à ocorrência de Mancha alvo. Também, deve lançar mão das estratégias de controle químico e biológico na definição do manejo de condução da lavoura de soja.

“O inóculo do fungo Corynespora cassicola, presente nos restos culturais, atinge as primeiras folhas do terço inferior da planta através dos respingos de chuva. A partir da infecção inicial, novos esporos são conduzidos nos extratos da planta, alcançando o terço médio e até o terço superior. Sendo assim, é importante proteger todo o dossel, principalmente as folhas mais próximas ao solo. Para isso, recomendamos que a aplicação seja realizada em pré-fechamento de entrelinha.” explica a pesquisadora.

CRESTAMENTO DE CERCOSPORA

A ocorrência de Crestamento de cercospora, causada pelo fungo Cercospora spp., tem despertado atenção de produtores e especialistas. Nas últimas safras, houve aumento da incidência e na severidade da doença nas áreas de soja de Mato Grosso. De modo geral, em condições de campo, a maioria dos materiais apresentam sensibilidade à ocorrência e, dentre as espécies, podem ser listadas a Cercospora kikuchii, C. sigesbeckiae e C. flagellaris.

Para os pesquisadores, o desafio é compreender como cada espécie se comporta e a predominância em cada região do Estado e do Brasil. “Acreditamos que existem diferenças entre as espécies, que podem ocorrer simultaneamente em condições de campo. Instituições de pesquisa e universidades têm trabalhado para entender as diferenças de patogenicidade de cada uma”, detalha a pesquisadora da Fundação MT.

Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA

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