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Quinta Feira, 16 de Abril de 2026

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Mato-grossenses retiram mais de R$ 654 milhões da poupança nos últimos 5 anos

16 de Abril de 2026 as 08h 34min

Brasileiro passou a olhar além da caderneta – Foto: Divulgação

Durante muito tempo, guardar dinheiro no Brasil tinha um destino quase automático: a poupança. Esse hábito, porém, começou a mudar e, aos poucos, o brasileiro passou a olhar além da caderneta, explorando alternativas mais interessantes na renda fixa e variável.

A poupança ainda tem presença relevante, mas já não ocupa o mesmo espaço de antes. No Mato Grosso, o declínio ganha força, com uma redução de mais de R$ 654 milhões no estoque total de depósitos nos últimos 5 anos, segundo dados do BC.

O cenário do estado não é isolado. Ele reflete uma mudança mais ampla na relação dos brasileiros com os investimentos. Embora siga forte no imaginário popular, como mostra o Raio-X do Investidor da ANBIMA, a poupança já começa a perder tração nacionalmente, com queda de 6 pontos percentuais nas citações espontâneas em relação à edição anterior do estudo. A tendência aponta para um movimento puxado pelas novas gerações, que vêm abrindo espaço para formas mais dinâmicas de investir.

Para Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, a busca por diversificação está diretamente ligada à sensação de ter ficado para trás e perdido oportunidades. “Na prática, quem deixou 5 mil reais na poupança nos últimos cinco anos até viu o dinheiro crescer, mas não o suficiente para acompanhar o aumento dos preços dos produtos no mercado e nas lojas, e acabou perdendo poder de compra no caminho”, destaca.

Por isso, investimentos como ações, CDBs, renda fixa digital e criptomoedas vêm ganhando mais espaço na carteira dos mato-grossenses, não apenas pelo potencial de maior rentabilidade, mas também pela possibilidade de diversificação, combinando a previsibilidade da renda fixa com o potencial de valorização dos ativos variáveis.

A renda fixa segue como porta de entrada para quem começa a sair da poupança. É o caso dos CDBs, já conhecidos, e da renda fixa digital, que vem ganhando espaço como uma evolução dentro da categoria. No fim, os dois funcionam de forma parecida: o investidor aplica e recebe uma rentabilidade previsível, geralmente ligada aos juros da economia.

A diferença aparece nos detalhes. Enquanto os CDBs de grandes bancos costumam render entre 100% e 120% do CDI, a renda fixa digital vem chamando atenção por oferecer mais, em parte por ter menos intermediários. Segundo dados do Mercado Bitcoin, o volume de RFD cresceu 108% em 2025, com retorno médio de 132% do CDI no ano, muitas vezes com isenção de imposto de renda.

Para visualizar essa diferença, uma simulação simples ajuda: com R$ 5 mil aplicados por um ano, a poupança chegaria a cerca de R$ 5,3 mil, um CDB a aproximadamente R$ 5,6 mil, e a renda fixa digital poderia superar R$ 5,7 mil. Se a renda fixa costuma ser o primeiro passo, é na renda variável que muitos investidores passam a buscar ganhos mais expressivos.

Nesse movimento, ações e criptomoedas ganham espaço no estado como alternativas com maior potencial de valorização, ainda que com mais oscilações no curto prazo. Enquanto as ações acompanham o desempenho das empresas, as criptomoedas abrem portas para um mercado global que funciona 24 horas por dia, com destaque para o Bitcoin.

Esse avanço já aparece no comportamento dos mato-grossenses. Segundo levantamento do Mercado Bitcoin, o número de investidores em cripto no estado cresceu 15% em 2025, colocando o Mato Grosso como o segundo maior mercado do centro-oeste nesse segmento. No mesmo período, a base de investidores em ações avançou cerca de 4%, segundo a própria B3.

“De longe, investir em cripto pode parecer complexo, mas o crescimento da categoria no Mato Grosso, à frente da bolsa, mostra que o processo é mais simples do que se imagina. Com aportes regulares e carteira diversificada, é possível diluir riscos sem depender de análises técnicas”, comenta Rony. O Brasil já é o quinto maior país em criptoativos, e o Bitcoin foi o ativo mais rentável da última década, rendendo mais de 170% só em 2024.

Fonte: DA REPORTAGEM

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