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MATO GROSSO Alta das commodities reflete nos custos de arrendamento
Reajuste chega a até 50% nos novos contratos, prejudicando os locatários mais antigos
19 de Maio de 2021 as 10h 42min
Valorização das principais commodities refletiu no custo do arrendamento – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
Em Mato Grosso, a valorização das principais commodities, como milho e soja, refletiu no custo do arrendamento. Em algumas regiões, o reajuste chega a até 50% nos novos contratos, prejudicando os locatários mais antigos.
O agricultor Gilberto Eberhardt paga 10 sacas de soja por hectare arrendado em Lucas do Rio Verde. Para renovar o contrato de cinco anos, que vence em 2023, precisou negociar com o proprietário e vai ter que desembolsar duas sacas a mais por hectare. Diferença que põe fim nos planos do agricultor de ampliar a área da lavoura na próxima safra.
“Fui atrás de arrendar novas áreas para aumentar o meu plantio, me deparei com os altos custos de arrendamento variando de 12 a 15 sacos de soja por hectare. É uma dificuldade muito grande de se encontrar áreas boas, além de pagar esse valor alto, temos que fazer investimento em calcário e isso eleva muito o custo”, contou.
O preço de locação de terra também disparou em Tapurah, onde aproximadamente 30% das áreas de cultivo são arrendadas. De acordo com o sindicato rural, o preço dos novos contratos varia entre 12 e 19 sacas por hectare, ou seja, um reajuste médio de 40% a 50% no município.
“A preocupação do sindicato dos agricultores é que estão vencendo muitos contratos de arrendamentos e está havendo um verdadeiro leilão, uma procura muito grande e uma oferta cada vez maior e uma pedida cada vez maior, e nós tentamos orientar os nossos associados para não cair nestes leilões, mas é muito difícil neste momento com o produto valendo muito bem”, disse o presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem.
Para o diretor-executivo da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Marcos da Rosa, a forte demanda por grãos e a possibilidade de renda em reais por hectare causa estímulo e aumenta a concorrência por arrendamento no campo.
“Isso está atraindo muitas pessoas que não estavam no mercado da produção de grãos. No caso de Mato Grosso, onde 66% da soja estava vendida, isso deixou uma renda mínima para o produtor e ele não conseguiu fazer um caixa que poderia dar uma tranquilidade financeira para seguir na atividade. Então, esses produtores não conseguiram aproveitar os preços e, de repente, o contrato de arrendamento deles estava vencendo e não vão conseguir renovar porque vão existir essas ofertas maiores”, disse.
Segundo da Rosa, a situação penaliza quem está na terra. “Esses produtores têm as máquinas necessárias para produzir, mas é uma pena, porque esses são os agricultores que fazem a agricultura do estado, do Brasil e estão na atividade há muito tempo. Vão perder o espaço para novos produtores que estão por um momento bom de mercado e pode ser que, lá na frente, quando venham os problemas novamente, essas pessoas não continuem exercendo essa atividade e nós perdemos esse profissional que estava lá no campo e dificultamos a vida deles”, completou.
O setor produtivo também faz um alerta: a disputa eufórica também pode trazer consequências aos proprietários de terras. “A gente tenta conscientizar aqueles proprietários que arrendam estas terras para que pensem no amanhã. Estão querendo pagar muito e não vai ser mesma coisa, tomara que não aconteça de preços ruins, então a fidelidade com esse arrendatário que até hoje vem plantando, plantou naquelas épocas ruins e aguentou uma renda para esse proprietário de terra. É importante que ele dê um voto de confiança a essas pessoas, não tente explorar agora, dê uma oportunidade daquele que está plantando em cima recuperar o atraso e continuar na mesma área de terra não diminuindo o seu fluxo de caixa”, completou Dezem.
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