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MT: florada dos ipês inspira coleta de sementes para produção de mudas nativas
20 de Outubro de 2026 as 15h 36min
Nascente recebeu mais de 15 mil mudas desde 2020 – Foto: Divulgação
A florada dos ipês-brancos e amarelos pelas avenidas de Sorriso, além de embelezar a paisagem urbana, também marcou o período de coleta de sementes das árvores, realizada em setembro deste ano. O material será utilizado na produção de mudas no Viveiro “Cultivando Vida Sustentável”, instalado no campus do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), em Sorriso, em parceria com a Associação Clube Amigos da Terra (CAT Sorriso).
A floração ocorre entre julho e setembro, justamente no período mais seco do ano no Cerrado mato-grossense. O estresse hídrico, associado ao calor intenso, estimula o florescimento como estratégia de reprodução e perpetuação da espécie.
“Acompanhamos as espécies que produzimos e observamos quando começa o período de produção de sementes. Assim que isso acontece, iniciamos a coleta”, explica a responsável técnica pelo viveiro, a engenheira florestal Bruna Valério.
As mudas de árvores nativas produzidas no viveiro são utilizadas na revitalização das nascentes do rio Tenente Lira. Desde o início do projeto Águas do Lira – Seja Amigo de uma Nascente, em 2020, mais de 15 mil mudas já foram plantadas ao longo da bacia hidrográfica do rio.
Por ano, o viveiro produz mudas de 20 a 23 espécies nativas. As sementes das árvores encontradas na região de Sorriso são coletadas pelas equipes. Além do ipê, estão entre as espécies utilizadas o jatobá, o angico, o cedro, a mirindiba e a copaíba.
Segundo Bruna, parte das sementes também é adquirida para abastecer a produção do viveiro. A coleta local, no entanto, é importante para verificar a qualidade do material e identificar árvores saudáveis, contribuindo para a produção de mudas adequadas às condições ambientais da região.
Com a intensificação das chuvas no fim do ano, o projeto Águas do Lira prevê avançar na revitalização de mais 15 nascentes. O levantamento mais recente apontou que, das 60 que apresentavam algum nível de degradação, 14 já foram revitalizadas, estão preservadas e seguem sob monitoramento das equipes técnicas.
O trabalho é conduzido pelo CAT Sorriso, em parceria com o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o IFMT Campus Sorriso, a Prefeitura de Sorriso e produtores rurais.
A recuperação de uma nascente é um processo que exige tempo e acompanhamento. Em média, são necessários de três a cinco anos para que os resultados sejam consolidados. O plantio de espécies nativas é uma das técnicas utilizadas, pois a vegetação exerce papel decisivo na proteção dos recursos hídricos, funcionando como um filtro natural que reduz a chegada de sedimentos e de possíveis poluentes à água.
“As raízes e a própria parte aérea das espécies vegetais acabam servindo como uma barreira física, retendo esses sedimentos e impedindo que cheguem à nascente ou ao corpo d’água, ou, pelo menos, reduzindo a quantidade que chega”, explica o engenheiro florestal e professor do IFMT Campus Sorriso, Everton José de Almeida.
Além de proteger os recursos hídricos, as raízes ajudam a manter o solo firme e estruturado, reduzindo os riscos de erosão. A cobertura vegetal também funciona como um escudo natural contra o impacto das chuvas, contribuindo para a conservação do solo e da água.
“Cada nascente recuperada representa um compromisso do campo e da cidade com a sustentabilidade e com o futuro de Sorriso, que também conta com nascentes em áreas urbanas”, afirma Cristina Delicato, CEO do CAT Sorriso.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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