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MUITA POLÊMICA: Entenda por que o Operário-VG desistiu de contratar Bruno
Goleiro teria salário de até R$ 5 mil; perda de patrocínio foi decisiva
24 de Janeiro de 2020 as 06h 00min
Foto: Alexandre Guzanshe
Operário desistiu de contratar Bruno por conta da revolta de parte da torcida.
DA REPORTAGEM
Sob pressão da torcida, imprensa nacional e patrocinadores, o Operário-VG desistiu de seguir adiante com a intenção de contratar o goleiro Bruno, cuja negociação vinha acontecendo há semanas. Confira a seguir detalhes desta transação e as condições oferecidas pelo clube para atrair o ex-atleta do Flamengo, condenado pelo feminicídio de Eliza Samúdio.
A ideia dos dirigentes do Operário era pagar ao jogador entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, a mesma faixa salarial oferecida aos demais atletas, em um contrato que deveria ser de um ano. Se viesse para Várzea Grande, Bruno não teria participação nos recursos provenientes de publicidade.
O comunicado sobre a desistência das negociações foi emitido à imprensa na quarta (22). O clube cedeu à pressão da opinião pública e ao medo de perder recursos importantes para o ano em que disputará a Copa do Brasil e tem feito um planejamento visando o Campeonato Mato-grossense. Diante da onda de manifestações contrárias, as empresas Pork Premium e Locar Gestão de Resíduos haviam desistido de patrocinar o time, para não terem a imagem associada à do atleta condenado pela Justiça.
“A gente acabou perdendo alguns patrocinadores que eram do clube, isso foi fazendo a gente repensar muito, porque sem dinheiro você não consegue fazer futebol”, informou o supervisor de futebol, André Xéla.
Anteriormente, a Martinello e a cooperativa Sicredi, que patrocinam o certame, desautorizaram o uso das respectivas marcas nos uniformes do time e em painéis utilizados em entrevistas. Na noite de terça (21), manifestantes se reuniram no entorno do Estádio Dito Souza, em Várzea Grande – onde seria realizada a estreia do Chicote da Fronteira, diante do Poconé, no Estadual 2020 –, e protestaram contra a contratação. As mulheres estavam vestidas de preto e, além de cartazes, seguravam um cartão vermelho nas mãos, que indica a expulsão de um jogador em uma partida de futebol.
"Metade apoiava, mas a outra metade que não, consegue fazer um barulho muito grande. Estavam pressionando bastante os patrocinadores, quando saiu a camisa 2020, eles sabiam quem eram", acrescentou Xéla.
Além disso, os diretores do clube estariam sofrendo ameaças. "Outra questão é a vida pessoal dos dirigentes, eles estavam recebendo ameaças, inclusive eu. Tem coisas que é melhor você parar. Apesar de que como goleiro, a gente acreditava muito no potencial, mas a briga era muito grande e a gente acabou desistindo disso", conta Xéla.
Em entrevista anterior à desistência da negociação, Xéla havia afirmado que a intenção do clube ao fazer a proposta para contratar o goleiro Bruno não foi atrair mídia. De acordo com ele, o Operário busca ser campeão e apostava no potencial do atleta que vinha sendo negociado.
“O Bruno é notícia 24h por dia, por conta de tudo o que aconteceu, mas de verdade, o clube não pensa na contratação do Bruno para trazer mídia, positiva ou negativa. Apesar de sabermos que o Operário é o clube mais falado de Mato Grosso hoje, nós acreditamos mesmo que se o Bruno chegar aqui e defender um pênalti numa final, por exemplo, e dar o título para o Operário, é isso que nós buscamos, não tem nada a ver com esta questão de mídia, o Operário já está há um tempo querendo ser campeão e só estamos tentando formar um time forte”, disse, na ocasião.
Até então, a Justiça de Minas Gerais havia autorizado Bruno a cumprir pena em Mato Grosso, mas a Justiça de MT ainda precisava aceitar a vinda do jogador. Somente o vazamento da informação de que Bruno poderia vir jogar em Várzea Grande foi o suficiente para uma enxurrada de críticas.
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