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Terça Feira, 18 de Agosto de 2026

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Mulher encontra o pai biológico após 38 anos com ajuda de teste de DNA

14 de Agosto de 2026 as 13h 14min

A vontade de descobrir quem era o pai biológico acompanhou Caroline Moreno, de 38 anos, moradora de Sinop, desde a infância.

Sem qualquer informação sobre a família paterna, ela cresceu convivendo com perguntas sem resposta. Em janeiro do ano passado, decidiu recorrer a um teste de DNA e iniciou uma busca que exigiu paciência, investigação e muita persistência.

“A ausência do meu pai marcou profundamente a minha vida. Eu cresci convivendo com perguntas que muitas crianças não deveriam carregar, que são perguntas da sua própria origem.  E assim, por mais que a gente está afirmando que pai é quem cria, todo mundo quer sim saber a sua origem”, conta ela.

O exame foi apenas o ponto de partida. A partir dos resultados, Caroline precisou reconstruir árvores genealógicas, localizar parentes distantes e reunir informações até chegar ao homem que procurava.

“Eu descobri que através da genealogia que era possível encontrar meu pai, mesmo sem ter absolutamente nenhuma informação sobre ele. No dia que eu descobri, comprei o teste do Genera e aguardei o teste chegar”. 

Mas como um teste genético consegue ajudar alguém a encontrar familiares que nunca conheceu? O especialista da Genera, Ricardo de Lázaro, médico, doutor em genética, explica que a tecnologia comparou DNA com um banco de dados de pessoas que também realizaram o exame, permitindo identificar possíveis graus de parentesco.

“Os testes da Genera são um mapeamento genético completo, que vão trazer informações sobre ancestralidade, seja, origem genética de cada pessoa, sobre predisposições relacionadas à doença, bem-estar em geral, e claro, a ferramenta de busca parente”.

Para fazer o teste é muito simples. “A gente tem mais de mil parceiros, laboratórios, clínicas parceiras espalhadas no Brasil, você pode ir lá e fazer o seu teste coletando uma amostra de sangue, mas também ele pode ser comprado e recebido diretamente pela internet. Você recebe em casa um kit que tem os materiais, as instruções para fazer a coleta e coleta, uma amostra de saliva, uma espécie de um cotonete que passa na parte de dentro da boca”.

Assim, de 600 mil pessoas na América Latina já fizeram o teste. “E justamente por isso é interessante a ferramenta de busca parentes, porque as pessoas que já realizaram o teste e aceitam fazer parte dessa ferramenta, a gente vai comparar cada DNA com toda a base, encontrando pessoas que compartilham material genético com cada indivíduo, ou seja, são parentes em algum nível”.

No caso de Caroline, a investigação levou cerca de nove meses. O caminho teve recusas, bloqueios e momentos de incerteza, mas terminou com um reencontro aguardado por quase quatro décadas. “O primeiro momento foi reconhecer que meu pai tinha feito muita falta, e quanto mais eu avançava nas buscas eu tinha a sensação de estar mais perto, mas também estar longe. Agora, quando eu falo sobre a dificuldade, que seria o segundo, é você ir chegando nas pessoas conforme vai fazendo a busca, você precisa falar com as pessoas para ir montando toda sua árvore genealógica até chegar na família. Existe um processo e você vai chegando nas pessoas. Às vezes, elas não querem se envolver, te ajudar, todo mundo tem medo”.

Depois de localizar o pai biológico que mora no Recife/PE, restava a confirmação científica do vínculo. “Era como se eu já sentisse que ele era meu pai, mas eu tinha medo de estar criando uma expectativa sobre a pessoa. Mas era uma conexão muito forte. Eu lembro a primeira vez que nos encontramos conversamos por mais de duas horas. Parecia que eu já o conhecia uma vida toda”.

Segundo Ricardo, histórias como essa tem se tornado cada vez mais frequentes. “Não dá pra dizer que os casos como o da Caroline são comuns, mas sim, gente já teve muitos casos de pessoas que encontraram a família biológica que era desconhecida a partir do teste. Além de revelar vínculos familiares, essas descobertas costumam provocar mudanças profundas na vida de quem vive esse processo”, explicou.

A experiência também inspirou o Caroline Moreno a escrever o livro “Onde Está Meu Pai?”, no qual relata toda a trajetória e incentiva outras pessoas que buscam conhecer as próprias origens.

Fonte: DA REPORTAGEM

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