Noticias
Novos armazéns devem reduzir fila de espera de caminhões
Além disso, a colheita da safra 2021/22 será bastante agilizada
18 de Novembro de 2021 as 06h 00min
Terraplanagem onde ficará um novo armazém em Canarana – Foto: AGR
Querência fica no Nordeste de Mato Grosso e figura entre os 10 maiores produtores de soja do país. Na safra 2021/22, aumentou a área destinada à agricultura e deve cultivar mais de 370 mil hectares com a oleaginosa. Com uma média de produtividade esperada em cerca de 68 sc/ha, a previsão é que sejam produzidos no município 1,5 milhão de toneladas do grão.
De milho, são mais 1,72 milhão de toneladas esperadas nos 250 mil hectares que devem ser destinados à cultura. Toda essa produção precisa ser processada (principalmente secada) e armazenada. Só que, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Querência possui capacidade estática de armazenamento de apenas 1,28 milhão de toneladas, dividida em 44 armazéns. E é nessa conta que não fecha que o problema começa.
A Conab estima que o ideal é que a capacidade estática de um município seja 1,2 vez maior do que a produção. No exemplo dado de Querência, apenas para a soja, seriam necessários pelo menos mais 520 mil toneladas de capacidade para se chegar ao ideal. Isso sem levar em consideração que a safra do milho (safrinha) começa a entrar nos armazéns enquanto ainda há soja armazenada. A situação se repete em todos os municípios do Médio Araguaia e ainda em vários outros de todo o estado.
Em Canarana, a Conab estima 837 mil toneladas de capacidade estática de armazenagem, numa junção de 32 armazéns e silos de tradings e particulares. A previsão é que o município, só de soja, produza 967 mil toneladas na safra 21/22, também evidenciando déficit de armazenagem. É claro que os armazéns conseguem escoar parte do que recebem durante a colheita, liberando espaço para novos recebimentos. Contudo, a já existente margem apertada fica à mercê de qualquer eventualidade, que pode agravar ainda mais a situação, como foi o caso da safra passada (20/21).
Naquela colheita da soja, uma realidade observada no Médio Araguaia foi o alto acúmulo de carretas e caminhões nos pátios dos armazéns da região. O presidente do Sindicato Rural de Canarana, Alex Wish, lembra que “foi um ano atípico, com muita chuva na colheita e isso gerou um transtorno muito grande. Soja muito úmida, com registro de produtores colhendo com até 30% de umidade”. O índice elevado e concentrado de chuvas na hora de tirar o grão das lavouras, coincidindo com poucos períodos de sol para colheita, aumentou o percentual de umidade e a quantidade de produtores colhendo ao mesmo tempo, que culminou num processo de secagem nos armazéns mais demorado, visto que o produto precisou passar mais de uma vez pelos secadores antes de ser armazenado, além de um fluxo maior de caminhões chegando pra descarregar ao mesmo tempo, resultado da janela de colheita pequena.
Em fevereiro, por exemplo, existiam filas e mais filas de até 36 horas para descarga em Canarana. A situação do município também foi identificada em toda a região e mais, em todo o Mato Grosso, estado que possui déficit de 50% na capacidade de armazenagem.
Diante de todo esse cenário deficitário, o produtor rural reclamou, argumentando que o aumento contínuo da produção da porteira para dentro deveria ser refletido na infraestrutura para garantir processamento e armazenagem dessa produção do lado de fora também. O ponto de agravo é que sem investimento a situação só tende a piorar, pois somente em Canarana, conforme o Secretário de Agricultura, Cleyton Dias, a área de soja deve seguir aumentando nos próximos cinco anos, devendo chegar a 350 mil hectares. Concomitantemente, a produção também aumentará.
E a situação vem tomando proporções maiores, tendo em vista que a soja é uma commoditie e, um abalo na ponta da cadeia produtiva, pode afetar o mercado do grão como um todo. Coube a vários agentes responder ao chamado da classe produtiva por uma solução. Entidades, o próprio Governo Federal, tradings e os próprios produtores também foram em busca de alternativas. E os primeiros resultados começam a surgir.
Em Canarana e em Água Boa, a empresa Agrícola Alvorada foi uma das que atendeu ao chamado dos produtores, e iniciou recentemente a construção de dois novos armazéns, um em cada município, bem como a implementação de novos equipamentos para o processamento dos grãos.
Terry Cardoso, responsável pela unidade da Agrícola Alvorada em Canarana, explica que a empresa que, já era uma das principais recebedoras da produção regional, investiu e pretende já operar na colheita da soja 21/22 com um novo secador, com capacidade de 200 ton/h, que somado ao existente, totaliza 450 ton/h de capacidade de secagem.
“Nós atendemos mais de duzentos produtores no município. Esse investimento vai melhorar significativamente o fluxo de recebimento diário da empresa. Além disso, vamos implementar um novo silo pulmão, de 2 mil toneladas, para casos de carga muito úmida, onde passamos a soja uma vez pelo secador, jogamos pro “pulmão” e já liberamos espaço para próxima carga. Quando o fluxo de recebimento diminui, a gente pega essa soja no silo e passa de novo pelo secador para só então jogar pro armazém”.
Fonte: DA REPORTAGEM – com AGR Notícias
Veja Mais
Governo define setores que podem acessar crédito de R$ 15 bilhões
Publicado em 19 de Abril de 2026 ás 12h 19min
Demanda de soja pode crescer 72% com avanço do biodiesel no país
Publicado em 19 de Abril de 2026 ás 10h 17min
Colíder inaugura agência para fiscalizar saneamento
Publicado em 19 de Abril de 2026 ás 08h 23min
