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Sábado, 04 de Julho de 2026

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Pó de rocha pode atenuar a crise de fertilizantes

27 de Abril de 2022 as 06h 04min

Estados do Centro-Oeste são os que mais estão usando esse produto – Foto: Divulgação

A ideia é amplamente defendida pelo secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, que destaca que a remineralização dos solos com o calcário é uma alternativa ao uso de fertilizantes químicos. O produto tem um custo barato e é genuinamente nacional. Os estados do Centro-Oeste são os que mais estão usando esse produto hoje, e Mato Grosso do Sul com atração de pelo menos três mineradoras neste segmento é destaque.

O secretário explica que os fertilizantes, conhecidos como formulações de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) são, em sua maior parte, importados (com custos elevados) e são controlados por poucos países produtores (EUA, Rússia, Ucrânia, Canadá, China e Alemanha).

“Estamos vendo a dificuldade de importar estes fertilizantes, devido a embargos aos países que estão em guerra (Ucrânia / Rússia) e, principalmente, o alto custo de importação. Para não sofrer com a dependência desse tipo de insumo altamente solúvel (NPK), o uso de remineralizadores (conforme princípios da tecnologia da rochagem), passa a configurar se como uma alternativa viável (ou nova rota tecnológica), que auxiliará na redução de usos de produtos químicos, na dependência externa e na remineralização dos solos, por meio da adição de multinutrientes (derivados das rochas), o que facilitará a recuperação e renovação do solo”, ressaltou.

De acordo com o secretário da Cadeia Produtiva da Mineração da Semagro, Eduardo Pereira, em Mato Grosso do Sul já existem mineradoras em atividade que conquistaram o registro do MAPA. Trata-se da Mineração Esteio, no município de Itaporã, e a Mineração Campo Grande, no município de Terenos. A Mineração São Francisco, localizada no município de Inocência também já está em processo de obtenção do registro para comercializar remineralizadores.

Estes dados mostram que o Mato Grosso do Sul tem se destacado neste novo ambiente de negócio, potencializando a economia e a sustentabilidade do setor agrícola na região.

Pereira lembra que a rochagem é uma tecnologia que prevê o acréscimo de rochas moídas ao solo. As rochas devem ser ricas em macro e micronutrientes, melhorando a fertilidade do solo, em especial, solos tropicais, agindo de forma a reverter os processos de erosão e degradação causados por atividades antrópicas ou mesmo por processos naturais causados pelo intemperismo.

O uso de pós de rocha é uma excelente alternativa, uma vez que temos vários tipos de rochas com características distintas em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, ocorre a formação Serra Geral, que abrange do sul ao norte do estado, composta por rochas basálticas.

Ocorre também rochas alcalinas (Fecho dos Morros e Morro Pão de Açúcar), em Porto Murtinho, e os calcários e fosfatos, na Serra da Bodoquena.  Além disso, atribui-se a essa tecnologia outras vantagens relacionadas aos aspectos social e ambiental.

“O uso de subprodutos ou co-produtos derivados de pedreiras e mineradoras também se converte em uma possibilidade, uma vez que tais produtos podem possuir minerais com ampla variedade de nutrientes entre os quais o fósforo, o potássio, o cálcio e o magnésio, além de uma série de micronutrientes, ocasionando uma espécie de rejuvenescimento para os solos de baixa fertilidade”, enfatiza Pereira.

A geóloga Magda Bergmann apontou a presença dos insumos agrícolas na região do “Grupo Serra Geral”, no MS, que compreende boa parte das regiões norte, sudoeste, costa leste e o centro. “As rochas basálticas têm expressividade nos terrenos de planalto, que são as áreas de maior presença da agricultura do MS e, também, a mesma unidade geológica ocupa parte das regiões sul (PR, SC e RS), sudeste (SP) e centro-oeste (MS, MT e GO) do país, que receberam derrames vulcânicos há milhares de anos.

Fonte: DA REPORTAGEM

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