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Palestra alerta estudantes para riscos do uso de cigarro eletrônico e narguilé
04 de Outubro de 2022 as 20h 10min
Nesta quarta (5), a partir das 7h30, alunos do 8º e 9º anos do Colégio Regina Pacis participam de palestra ministrada pelo médico Paulo Quintanilha sobre os riscos à saúde oferecidos pelo uso de cigarros eletrônicos e o famoso narguilé. A ação tem apoio do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros.
No Brasil, segundo a RDC 46/2009 da Anvisa, os dispositivos eletrônicos para fumar são proibidos desde 2009. Esta proibição inclui a comercialização, importação e a propaganda desse tipo de cigarro.
Em abril de 2022, o relatório Covitel trouxe dados inéditos sobre o uso de cigarros eletrônicos no Brasil. Segundo a pesquisa feita com nove mil pessoas pelo país, pelo menos 1 a cada 5 jovens de 18 a 24 anos usa cigarros eletrônicos no Brasil, ou seja, quase 20%. O índice é de 10,1% entre os homens e 4,8% entre as mulheres.
Ainda de acordo com o levantamento, a região que mais usa cigarros eletrônicos é o Centro-Oeste (cerca de 11% da população).
“Mesmo sendo um produto proibido em território nacional, observamos cada vez mais o crescimento do uso destes dispositivos eletrônicos e do narguilé em meio aos adolescentes e jovens brasileiros, fato extremamente preocupante. A informação errônea que leva a crer que o cigarro eletrônico não compromete a saúde faz com que muitas vezes, até os pais e responsáveis, acreditem no uso ‘inocente’ desses produtos, o que é um grande equívoco”, afirma Paulo Quintanilha.
Os Dispositivos Eletrônicos de Fumar (DEFs) ou cigarros eletrônicos (também chamados de vapes, e-cigarros ou pen drive) são dispositivos mecânico-eletrônicos alimentados por bateria que exalam um aerossol contendo nicotina entre outras tantas substâncias nocivas à saúde humana
“Algumas pessoas acreditam que os cigarros eletrônicos contribuem para que se deixe de fumar cigarros comuns ou que estes são ‘saudáveis’ por exalarem apenas ‘vapor de água’. Porém a realidade é totalmente diferente da propagada pela indústria do tabaco, uma vez que os cigarros eletrônicos contêm, sim, nicotina, droga que leva a dependência, além de conter mais de 80 substâncias químicas, incluindo cancerígenos comprovados”, alerta o médico.
O uso da nicotina aumenta o risco de trombose, AVC, hipertensão, infarto do miocárdio e ainda pode causar intoxicação por monóxido de carbono, comprometimento da função pulmonar, queda no rendimento durante exercício, alterações na voz e na laringe, entre outras complicações. Estudos revelam que o cigarro eletrônico aumenta em cerca de três vezes as chances de o usuário fumar também cigarros comuns.
“Os adolescentes acabam sendo o público alvo desta indústria irregular. Ao compartilhar estes objetos ainda ficam expostos a resfriados, infecções respiratórias, hepatite C, herpes labial e tuberculose”, acrescenta Quintanilha.
O uso dos DEFs resultou em uma nova doença, a Evali, que é uma lesão pulmonar associada ao uso dos aparelhos, descrita pela primeira vez em 2019 em usuários, nos Estados Unidos. Acredita-se que tenha relação com um diluente utilizado nesses dispositivos que afeta o pulmão, causando um tipo de reação inflamatória.
“Entre seus sintomas estão tosse, falta de ar, dor no peito, dores na barriga, vômitos e diarreias, febre e calafrios, perda de peso, além de poder causar fibrose pulmonar, pneumonia e chegar à insuficiência respiratória”, complementa o médico.
A médica e diretora administrativa do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, Anna Letícia Yanai, destaca a importância de se conscientizar adolescentes e jovens sobre os reais riscos oferecidos pelo uso destes aparelhos.
“É imprescindível que a informação correta chegue aos nossos adolescentes e pais alertando para os malefícios e riscos gravíssimos à saúde ocasionados pelo uso dos DEFs, por isso realizamos, juntamente com o Dr. Paulo Quintanilha, este projeto de conscientização nas escolas com o objetivo de que as orientações corretas cheguem a este público”, acrescenta Anna Letícia.
Fonte: DA REPORTAGEM
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