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PECUÁRIA: Contas não fecham e pequenos confinadores deixam atividade
Cenário de obstáculos reforça a necessidade de adoção de estratégias
13 de Agosto de 2020 as 08h 30min
Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
O número de bovinos confinados em Mato Grosso deve ser 11% maior que o previsto em abril, durante o primeiro levantamento das intenções de confinamento. A informação é do Imea, que divulgou a nova pesquisa realizada com pecuaristas do estado. Serão 641.070 animais, cerca de 63,5 mil a mais que a quantidade projetada no primeiro semestre. O salto é resultado direto da valorização da arroba do boi gordo.
“Na primeira intenção 53% dos confinadores afirmou que iriam confinar; agora este número subiu para 68%. São praticamente unidades a mais que vão confinar”, explica Marianne Tufani, analista de pecuária do Imea.
Apesar do salto, o volume de animais terminados no cocho este ano deve ser 22% menor que o registrado em 2019, quando os pecuaristas engordaram mais de 824,2 cabeças no sistema fechado. “O resultado ainda inferior ao do ano passado está pautado nos custos altos. A gente tem ainda uma reposição alta, só de abril até julho foi acima de 7%. E também em relação aos custos dos insumos, que a gente tá observando crescerem mesmo durante a safra. Tanto que alguns pequenos confinadores saindo da atividade neste período de abril até agora”, comenta Marianne.
Segundo o Imea, 12 unidades foram desativadas. Com isso, a atual capacidade estática dos confinamentos em Mato Grosso encolheu 15,6% na comparação com o ano passado, ficando em 784,8 cabeças. É a menor capacidade instalada desde 2010.
“Quando você divide o valor da diária como a gente fala no confinamento, pela mão-de-obra empregada, quer dizer, o mesmo funcionário que trata de 500 bois ele trataria de mil. Ou seja, o custo individual dessa mão-de-obra seria muito menor. Por outro lado nós temos também a compra de insumos, sobretudo, esse ‘DDG’ que sai das fábricas de etanol de milho, que só é vendido em grandes quantidades, em contratos pré-estabelecidos de fornecimentos mensais, semestrais ou até anual, isso faz com que os pequenos produtores que não tem esse mesmo poder de barganha acabam ficando com uma diária cada vez maior, consequentemente, diminuindo a probabilidade dele conseguir confinar”, avalia Francisco Manzi, diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso.
Para a Acrimat, o cenário de obstáculos para os pequenos confinadores reforça a necessidade de adoção de estratégias, como a soma de esforços, por exemplo. “Evidentemente que o produtor que é pequeno, que é menor, que ao tem esse poder de barganha como o grande, ele tem que buscar o associativismo. Se unir a outros produtores para que ele possa ter poder de barganha na hora da compra e inclusive na hora de vender para o frigorífico”, conclui Manzi.
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