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Pesquisador participa de projeto com uma das múmias mais famosas do mundo
31 de Julho de 2026 as 14h 32min
Estudo utiliza tecnologias de documentação tridimensional desenvolvidas por ele – Foto: Divulgação
O pesquisador sinopense Cícero Moraes, referência internacional em reconstruções faciais forenses e tecnologias aplicadas à pesquisa científica, integra um novo projeto envolvendo Ötzi, a múmia natural mais famosa do mundo e um dos mais importantes achados arqueológicos da história. A informação foi divulgada pela Prefeitura de Sinop.
Com aproximadamente 5.300 anos, Ötzi viveu durante a Idade do Cobre e foi encontrado em 1991, preservado naturalmente pelo gelo nos Alpes, na fronteira entre Itália e Áustria. Mais antigo que as pirâmides do Egito, o corpo permitiu à ciência desvendar aspectos da alimentação, da saúde, da genética e do modo de vida das populações pré-históricas, tornando-se um dos indivíduos mais estudados do planeta.
O trabalho desenvolvido por Cícero ainda passa pelas etapas finais de validação técnica e acadêmica antes de ser apresentado ao público. Por questões de confidencialidade, ele não pode revelar detalhes do projeto, mas adianta que, desta vez, a iniciativa não envolve reconstrução facial — área pela qual é internacionalmente conhecido — e sim a aplicação de tecnologias tridimensionais desenvolvidas ao longo de sua trajetória científica.
"Trabalho em parceria com a equipe italiana Arc-Team desde 2011. Foram eles que me contrataram para reconstruir a face de Santo Antônio e para outros projetos de grande relevância, como a reconstrução 3D de um castelo medieval, ambos publicados em revistas científicas internacionais. Eles frequentemente me enviam novas demandas", explicou.
Segundo o pesquisador, 2026 tem sido um ano especialmente produtivo nessa colaboração. Recentemente, ele participou da reconstrução da face de um homem pré-histórico, atualmente em exposição permanente no MegaMuseo, na Itália, considerado o maior museu coberto da Europa. Agora, soma ao currículo mais um trabalho ligado a um dos personagens mais emblemáticos da arqueologia mundial.
Embora o projeto com Ötzi não envolva reconstrução facial, Cícero afirma que utilizou ferramentas desenvolvidas por ele para planejamento cirúrgico e documentação tridimensional. "Essa abordagem permitiu unificar diferentes conceitos em um trabalho muito interessante, tanto do ponto de vista visual quanto estrutural", destacou.
Ele acrescenta que o estudo já está concluído, mas ainda depende de etapas formais antes da divulgação. "Assim que isso acontecer, o público poderá conhecer o trabalho em detalhes. O mais interessante é que essa tecnologia pode ser replicada e utilizada por profissionais das áreas da saúde e da arqueologia para documentação tridimensional de diferentes estruturas", afirmou.
Descoberto por acaso em setembro de 1991, Ötzi permanece preservado em uma câmara climatizada no Museu Arqueológico do Tirol do Sul, na cidade de Bolzano, na Itália. As pesquisas realizadas ao longo das últimas décadas indicam que ele morreu por volta dos 46 anos, foi vítima de um homicídio após ser atingido por uma flecha no ombro esquerdo e teve praticamente todo o DNA sequenciado, contribuindo para importantes avanços no conhecimento sobre as populações europeias da pré-história.
A participação de Cícero Moraes no projeto reforça o reconhecimento internacional do pesquisador e demonstra como tecnologias desenvolvidas por um profissional de Sinop podem contribuir para estudos científicos de alcance mundial e para a ampliação do conhecimento sobre a história da humanidade.
Fonte: DA REPORTAGEM
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