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Pirataria de artigos esportivos causa R$ 9 bi de prejuízo em 2021
02 de Maio de 2022 as 08h 00min
Dados do estudo encomendado pela Ápice sobre pirataria no Brasil — Foto: Reprodução
O mercado ilegal de artigos esportivos no Brasil causa um prejuízo bilionário a clubes, fornecedores, revendedores oficiais e consumidores, muitas vezes lesados com produtos semelhantes aos originais e que invariavelmente pagam mais caro em função das falsificações.
Só em 2021, o governo deixou de arrecadar R$ 2 bilhões em impostos. Já as empresas do setor arcam com impacto negativo de R$ 9 bilhões, já que 33% do mercado brasileiro neste setor atualmente é ilegal.
Os números são de pesquisa de campo encomendada pela Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice) à Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec). O estudo revelou ainda que 50% dos entrevistados que compraram produtos esportivos no ano passado adquiriram pelo menos uma peça pirata.
O efeito dessa falsificação e venda em massa de produtos é sentido em todas as pontas da cadeia. E o consumidor, seja torcedor ou praticamente de esporte, acaba pagando a conta.
O diretor-executivo da Ápice, Renato Jardim, explicou que, ainda que a alta tributação sobre essa categoria no Brasil estimule o mercado informal, a pirataria em si traz prejuízo que acaba embutido no preço final.
“O consumidor de produtos originais está pagando a conta desse enorme mercado pirata que temos no Brasil. É preciso também considerar que paga uma conta alta em função de outros fatores, não só da pirataria. Principalmente a tributação. E a tributação alta é uma das origens da alta incidência de pirataria. Mas é claro que a pirataria também traz um custo. As empresas acabam tendo de investir para proteger suas marcas, fiscalização, monitoramento do mercado, cooperar com autoridades, manter advogados especializados, enfim, é uma somatória que resulta em custo, que é embutido no preço dos produtos originais. Além disso, a pirataria reduz a escala de produção e venda dos produtos, e portanto, aumenta o custo”, explicou Jardim.
De acordo com o estudo encomendado pela Ápice, no ano de 2021 foram comercializadas mais de 482 milhões de unidades de itens esportivos, dos quais 33% não originais - mais de 157 milhões de unidades falsificadas vendidas.
Além disso, 50% dos entrevistados compraram ao menos um artigo não original de produtos esportivos e 17% só compraram peças falsificadas. De acordo com os percentuais, cerca de 40 milhões de brasileiros adquiriram algum item falsificado no ano passado.
Jardim destacou ainda que o combate à pirataria não tem como alvo o "ambulante da porta do estádio". O diretor da Ápice diz que grandes organizações criminosas se aproveitam de uma legislação branda para usar a pirataria como forma de levantar recursos para custear delitos mais graves.
Marcio Gonçalves, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e da Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (Abral), afirmou que a verba e o número de agentes empregados no combate à pirataria não são suficientes.
Apesar de estar crescendo e ser um universo com grande alcance para venda de produtos, falsos ou não, o mercado virtual ainda representa uma parcela pequena do total de produtos esportivos vendidos no Brasil.
Em 2021, foram 21 milhões de peças não originais compradas em varejo online, o que significa 13,4% do total, com 136,4 milhões de artigos piratas vendidos no varejo físico.
Já há movimentação de clubes de futebol para barrar a pirataria online de seus produtos, pelos quais recebem royalties. O Flamengo é um dos exemplos do que pode ser feito para evitar o prejuízo milionário da concorrência com artigos falsificados.
Desde que começou a ser patrocinado pela plataforma de vendas digital Mercado Livre, o clube montou uma estrutura para combater a pirataria.
Fonte: DA REPORTAGEM
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