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Planeta gigante tem um dia mais longo que seu próprio ano, entenda
28 de Junho de 2026 as 12h 14min
O planeta chamado CoRoT-2 b leva cerca de três dias terrestres para completar uma rotação, mas orbita sua estrela em apenas um dia e meio. O planeta dá duas voltas ao redor da estrela antes de terminar um único giro sobre si mesmo.
O resultado foi obtido por Aurora Kesseli, pesquisadora do NASA Exoplanet Science Institute no IPAC, centro de ciência e dados do Caltech. Kesseli e colaboradores usaram novas observações espectroscópicas feitas pelo Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul para medir a velocidade do planeta e estimar sua taxa de rotação.
CoRoT-2 b intriga cientistas desde 2018, o planeta é do tipo “Júpiter quente”, essa classificação agrega grandes planetas gasosos que orbitam suas estrelas muito de perto. O motivo é a localização de sua região mais quente: ao contrário de outros Júpiteres quentes, cujo ponto de maior temperatura aparece levemente deslocado na direção do movimento orbital, o ponto quente do planeta chamado CoRoT-2 está na direção oposta.
Pesquisas anteriores levantaram três hipóteses para explicar a anomalia: nuvens escondendo parte da atmosfera, campos magnéticos interferindo na distribuição de calor, ou uma rotação mais lenta do que o esperado. Os novos dados apontam para a terceira opção.
Os pesquisadores ainda não sabem por que CoRoT-2 b rotaciona tão lentamente. Interações com sua estrela, processos internos do planeta ou outros fatores podem estar envolvidos. Mais observações serão necessárias para identificar a causa.
Mais de 5 mil planetas já foram confirmados fora do sistema solar. Kesseli observou que padrões considerados universais frequentemente revelam exceções à medida que novos dados surgem.
“Agora podemos ver que um modelo único não funciona, mesmo para planetas que estudamos há muito tempo. Cada vez que olhamos para outro Júpiter quente, aprendemos algo novo para refinar nossos modelos, que são úteis para entender não só os Júpiteres quentes, mas todos os tipos de exoplanetas”, disse ela.
Astrônomos esperam que observatórios futuros ofereçam respostas mais precisas. O Habitable Worlds Observatory e o Extremely Large Telescope são citados como instrumentos que permitirão medições mais detalhadas de atmosferas de exoplanetas, incluindo ventos, temperaturas e, possivelmente, mundos com características mais próximas às da Terra.
“Com a próxima geração de telescópios, poderemos fazer medições mais aprofundadas em mais planetas, talvez até em potencialmente habitáveis”, disse Kesseli. A pesquisa foi apresentada na 248ª reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS).
Fonte: DA REPORTAGEM
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