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Plano Safra: produtor precisa de planejamento para acesso ao crédito
11 de Setembro de 2026 as 06h 06min
Dimensionando necessidade de recursos e reduzir riscos financeiros durante o plantio – Foto: Divulgação
Com o plantio dos cultivos de verão se aproximando, a corrida pelos recursos do Plano Safra 2026/27 já começou. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a agricultura empresarial já contratou R$ 28,2 bilhões em crédito rural em julho, primeiro mês do ciclo 2026/27.
Do total, R$ 6,5 bilhões foram destinados ao custeio convencional e R$ 118,1 milhões a programas de investimento. As Cédulas de Produto Rural (CPRs) responderam por R$ 18,8 bilhões, ou 66,6% das operações contratadas no mês.
Mais do que ter acesso ao crédito rural, o desafio do produtor é definir o quanto precisará investir para a formação da próxima lavoura e dimensionar corretamente como esses recursos serão distribuídos entre insumos, operações, compromissos já assumidos e investimentos. Um planejamento inadequado pode levar tanto à contratação de recursos acima da capacidade de pagamento quanto à falta de dinheiro no decorrer da safra.
Na avaliação de Rafael Luche, gerente de negócios da FertiSystem, empresa especializada em tecnologias para plantio e agricultura de precisão, o ponto de partida é entender o que será cultivado, em qual área e em quais condições produtivas.
“A primeira coisa que o produtor precisa saber é o que vai plantar, quanto vai plantar e como está o principal ativo da próxima safra, que é o solo. A partir disso, ele consegue buscar os orçamentos e entender quanto realmente vai precisar de fertilizante e de outros insumos”, afirma.
Análises de solo, mapas de produtividade e resultados da safra anterior ajudam a estabelecer as necessidades de cada área e evitam que as compras sejam definidas apenas pela oferta comercial disponível. “Aspectos climáticos e a janela de plantio também precisam entrar nessa avaliação, pois influenciam a escolha das sementes e a estratégia adotada em cada região”, detalha Luche.
Outro componente, segundo o especialista, que deve ser analisado com antecedência é o arrendamento. Além de considerar a produtividade histórica das áreas de terceiros, o produtor precisa calcular se o resultado esperado é suficiente para pagar o arrendamento e remunerar a atividade. Em anos de frustração de safra, esse compromisso permanece e pode ampliar o endividamento.
FLUXO DE CAIXA
A análise da capacidade de pagamento é outro passo essencial. O produtor deve reunir os compromissos de curto e longo prazo, incluindo parcelas de máquinas, investimentos anteriores, custeios, renegociações de safras passadas e demais obrigações da propriedade.
Mais importante do que conhecer o tamanho da dívida é identificar quando cada compromisso vence e como esses pagamentos vão se encaixar na entrada de receita da safra. “É preciso olhar o que já está comprometido, quais são os vencimentos e quando vai liquidar o dinheiro que está buscando para o próximo plantio. Isso é fluxo de caixa. Se vários compromissos vencem ao mesmo tempo, ele pode ser obrigado a vender sua produção justamente quando não gostaria”, explica o gerente de negócios da FertiSystem.
Embora o Plano Safra já esteja em operação, a contratação dos recursos ocorre ao longo do ano agrícola e depende do enquadramento do produtor, da linha escolhida, da documentação e da análise da instituição financeira. Ter clareza sobre os compromissos e sobre a necessidade de capital ajuda a definir com antecedência quanto poderá ser financiado e quais recursos serão necessários para completar o orçamento da safra.
Antecipar a organização documental também pode reduzir entraves na análise das operações. Luche destaca que pendências aparentemente simples podem interromper o processo de concessão do crédito. Entre os pontos que devem ser conferidos estão obrigações financeiras em dia, documentação do imóvel, Cadastro Ambiental Rural (CAR), Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR), regularidade fiscal e ambiental e, no caso de áreas de terceiros, os contratos que comprovem a relação entre produtor e proprietário. “Muitas vezes, o que trava o crédito são questões documentais, portanto é fundamental organizar tudo o quanto antes”, ressalta.
A identificação correta da área financiada também exige atenção. Nas operações de custeio, o imóvel e a área destinada à produção precisam atender às exigências aplicáveis à linha contratada, inclusive quanto à regularidade e à delimitação das áreas.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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