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PREOCUPANTE: A cada 11 minutos, um produtor de leite se retira da atividade
Pecuaristas deixam atividade por falta de investimento em tecnologia e problemas na sucessão familiar
24 de Setembro de 2020 as 06h 30min
Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
A triste verdade para a cadeia do leite é que a cada 11 minutos um produtor de leite deixa de exercer a atividade. Mas os fatores são variados. Segundo o economista, mestre e doutor em economia aplicada Paulo Martins, chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, os pecuaristas estão deixando a atividade por falta de investimento em tecnologia e problemas na sucessão familiar.
A grande questão em todo esse processo, e isso precisa ser debatido ainda mais, é que a pecuária está passando por transformações, algumas silenciosas e radicais. Entretanto, não se alarmem e achem que a atividade está fadada ao declínio e extinção. Existe um percentual de novos produtores que estão entrando na atividade, mas eles têm uma percepção mais empresarial do que é a produção de leite.
Se olhar para as propriedades que têm uma visão direcionada para o lado “empresarial”, e não apenas das propriedades de cinco mil litros, essas têm sua produção embasada no bem-estar animal, nutrição de precisão, utilização de genômica para o melhoramento e, principalmente, a utilização de tecnologias.
“Venho abordando a grande importância de se utilizar uma gestão eficiente, independente do volume de leite produzido, para poder obter lucro com a atividade. A grande diferença entre um produtor bem sucedido e o mal sucedido é a gestão do negócio”, destacou Martins.
Os produtores que deixam a tecnologia para fora da porteira já estão sendo penalizados pelo mercado, isso já é uma realidade posta. “No leite, a cada dez anos, quando a gente compara o Censo (Agropecuário), nós estamos deixando 25% dos produtores fora (da atividade). Um a cada onze minutos. Então durante a nossa entrevista aqui, nós vamos perder dois produtores”, lamentou.
“Uma parte é porque tem problema de sucessão familiar, que acontece de maneira geral. […] Tem uma outra parte, aí uma parte grande, que é questão de não acompanhar a tecnologia”, esclareceu.
Em uma entrevista concedida pelo Gerente Técnico de Gado de Leite Sudeste da DSM, Marcelo Grossi, quando questionado sobre a diferença dos níveis tecnológicos e de produção do setor, e se aconteceria um nivelamento, ele pondera que sim, e que seria nivelado por cima.
“Os custos fixos sobem em uma taxa três vezes superior ao preço de leite e cada vez mais pequenos produtores ou produtores de baixa tecnologia irão evoluir para confinamento e para produções cada vez superiores, usando cada vez mais insumos. Haverá pequenos nichos verticalizados (leite orgânico e derivados ou mesmo leite A etc) mas o grosso será nivelado. Nossa taxa de perdas de produtores desde 2006 é de mais de 35 mil fazendas ao ano e ainda assim nossa produção fiscalizada sobe acima dos 3% a.a.”, ressalta Marcelo.
Em resumo, a pecuária está passando por uma revolução. Felizmente, ela chegou e deve ser cada vez mais severa para quem não se atualizar dentro das suas exigências. Chegou a hora de mudar, pensar em produtividade/lucratividade, pensar em planejamento, pensar em gestão e, principalmente, pensar em negócio.
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