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Produtores de leite abandonam atividade no Noroeste
21 de Junho de 2022 as 06h 00min
Gastos com ração aumentaram quase 50% - Foto: Divulgação
A ordenha do rebanho começa cedo nesta propriedade em Brasnorte, no Noroeste. O manejo das 40 vacas em lactação é feito em família. A pequena pecuarista de 11 anos, Olinda Garcia, falou um pouco da rotina para ordenha da vaca.
“Nós acordamos cinco horas e começa o leite lá por umas 6 horas porque até buscar as vacas demora um tempo. Tem dias, quando vamos dormir tarde e tem que acordar cedo dá aquela preguicinha, mas depois desperta o sono, joga uma água na cara e vamos para trampo”, afirma. “A moça aí com onze anos, desde a idade dos 6,7 anos está ajudando o pai”, diz o pecuarista, Adriano Garcia da Silva.
A força tarefa garante uma média de quase 300 litros de leite por dia. A produção já foi maior, segundo o pecuarista, mas tem diminuído ano a ano. Um reflexo da redução do rebanho, saída encontrada pelo Adriano para arcar com os custos da atividade, já que os preços pagos pelo leite não têm acompanhado o avanço das despesas.
“O preço do leite pago para gente está na faixa entre 1,80 a 2,00 reais e se você pegar ração hoje está acima de 2,25 reais o quilo, a conta não está fechando, o governo tem que fazer uma política diferente para o produtor de leite para não deixar acabar, porque senão vai acabar acabando e vem diminuindo muito a produção de leite”, diz o produtor.
Robson Vicente é presidente da Cooperprata – Cooperativa Mista Água da Prata, em Brasnorte-MT, que tem 107 famílias associadas. Juntas, coletam em média 12 mil litros de leite por dia. Ele afirma que os gastos com ração – à base de milho – aumentaram quase 50% na comparação com o mesmo período de compras da última temporada. Diferença que pesa no orçamento e desestimula a atividade na região. “Nós chegamos a comprar ração há 1400, 1500 reais a tonelada, este ano compramos ração de 2.200 reais a tonelada e o pior que está acontecendo é que vários estão saindo da atividade, nós na cooperativa só este mês já sete produtores deixaram de produzir porque não compensa”, comenta.
Outra preocupação do setor é a estiagem que passa de 40 dias em algumas propriedades. A seca, além de castigar severamente as pastagens também prejudica o desempenho dos milharais, o que pode diminuir a oferta e aumentar a concorrência pelo cereal no município.
“Nós somos uma cooperativa de pequenos produtores assentados, e concorremos com aqueles grandes produtores que compram produtos na região para fazer silagem para fazer confinamento de bovinos, então eles têm poder de barganha e compram muito, e nós como somos cooperativa pequena não têm esse poder todo”, explica o presidente da Cooperprata.
Na tentativa de escapar do possível cenário da falta de pastagem e da escassez do cereal, o pecuarista, Gelcir Caldeira, decidiu investir no cultivo de milho. Iniciativa que, segundo o pecuarista, garante o alimento para o rebanho manter a produção mensal de quase 12 mil litros de leite na propriedade.
“A gente faz silagem de milho, planta aqui dez hectares duas vezes e faz silagem duas vezes e faz silagem duas vezes dos 10 hectares. O custo está muito caro, o milho o preço que está, a soja para fazer a ração, quem vive de centavos e até tirar isso em centavos é demorado, você trabalha no vermelho, é tocar o negócio para o lado da silagem mesmo e tratar dos animais”, finaliza.
Fonte: DA REPORTAGEM
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