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Reforma eleitoral divide Câmara e ameaça acordo de Hugo Motta
04 de Novembro de 2026 as 14h 19min
Voto distrital misto enfrenta resistência de partidos do centrão - Foto: Assessoria
A proposta de reforma do sistema eleitoral brasileiro abriu uma disputa dentro da Câmara dos Deputados e colocou em risco o acordo articulado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com partidos do centrão.
A mudança prevê a adoção do voto distrital misto a partir de 2034, mas enfrenta resistência de parlamentares que defendem modelos alternativos de escolha dos representantes.
Pelo sistema em discussão, metade das cadeiras da Câmara seria preenchida por candidatos eleitos em distritos eleitorais previamente delimitados. A outra parcela seria distribuída entre os partidos, conforme listas preestabelecidas. O desenho pretende modificar a relação entre candidatos, legendas e eleitores, além de ampliar o controle das direções partidárias sobre a composição do Legislativo.
Apesar do apoio anunciado por dirigentes partidários, parte das bancadas trabalha para substituir o modelo pelo chamado distritão, no qual os candidatos mais votados em cada estado conquistam as vagas, independentemente do desempenho coletivo das legendas. O deputado Igor Timo (Podemos-MG) tem percorrido gabinetes para reunir apoio à proposta.
“É o sistema mais representativo. Um parlamentar com votação expressiva eleger outros com votação ínfima é incompatível com a democracia”, argumentou.
A resistência também parte de grupos que temem perder espaço com a mudança. Parlamentares de partidos menores e representantes de categorias profissionais avaliam que a divisão dos estados em distritos pode favorecer lideranças regionais, prefeitos e candidatos com bases eleitorais concentradas.
A oposição, por sua vez, anunciou que seus 103 deputados votarão contra qualquer alteração nas regras atuais de eleição.
O debate ocorre em torno de três modelos distintos. Atualmente, deputados são eleitos pelo sistema proporcional de lista aberta, que considera a votação total dos partidos e federações para distribuir as cadeiras. No distritão, prevalece a votação individual.
Já o distrital misto combina a escolha direta de representantes nos distritos com a distribuição proporcional de parte das vagas. A proposta ainda precisa superar as divergências entre as bancadas e avançar no Congresso.
Fonte: DA REPORTAGEM
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