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RELÍQUIA: Santo Antônio: da Basílica de Pádua para veneração na paróquia
A persistência e a fé de Mari Bueno para trazer a Sinop um pouco da história cristã
18 de Julho de 2020 as 12h 00min
Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
A Igreja de Santo Antônio, a primeira de Sinop, já conserva uma relíquia de primeiro grau proveniente da Basílica de Pádua, na Itália. Conheça a história de persistência e fé da artista plástica Mari Bueno, que fez a solicitação para que uma parte do corpo do santo fosse preservada para veneração no templo que ela mesma projetou em honra ao padroeiro da cidade.
Esta história é de agradecimento à intercessão de Santo Antônio, já que foi “um presente atrás do outro”, conta emocionada a artista. A mesma história congrega o presente também recebido pelos devotos em Mato Grosso que, através da Paróquia da Igreja de Santo Antônio na cidade de Sinop, podem venerar uma relíquia do santo, proveniente da própria Basílica de Pádua, na Itália.
CHEGADA
AO BRASIL
O processo de solicitação começou ainda em 2015 e foi marcado pela persistência de Mari, especialista em Mariologia, Arte Sacra e Espaço Litúrgico. De fato, o primeiro templo católico de Sinop, em homenagem a Santo Antônio, criado em 1976, foi reconstruído por idealização da artista depois de ser contemplado por projeto da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal.
Mari também foi “presenteada por Deus” para fazer a pintura da reconstrução facial de Santo Antônio impressa em 3D, num trabalho conjunto de profissionais brasileiros. Hoje, a peça está na Sala do Centro de Estudos Antonianos dentro da própria basílica na Itália.
Uma relação estreita de Mari com o santo e a fé que a fez, então, iniciar o processo para ter uma relíquia de Santo Antônio perto de casa, naquela igreja que logo sairia do papel com o seu projeto arquitetônico, litúrgico e de arte sacra. Lá em 2015, quando se preparava para viajar à Itália a trabalho:
“Eu quis fazer esse contato dessa paróquia aqui, com vários imigrantes do Sul que tem descendência italiana, que são católicos, devotos. Peguei tudo que eu tinha de material aqui, da cidade na década de 70, material da cidade no ano que eu fui (2015), material da igreja desde o começo, da primeira missa, tudo que eu tinha de histórico e atual. Fui conversar com o bispo que, na época, era dom Gentil Delazari”.
Munida ainda com a carta do bispo local, Mari Bueno viajou à Itália e entregou todo o material ao Pe. Enzo Poiana, na época, reitor da Basílica de Pádua. “E ele mesmo falou para mim, sem nem eu falar nada: disse que gostaria muito de ir na inauguração da igreja, faria o possível pra isso e que também gostaria de doar uma relíquia. Ah! Foi uma felicidade enorme! E aí nós ainda tínhamos 2 a 3 anos de acabamento e de construção da igreja. Mas aí, no ano seguinte, vejo matéria sobre ele e, não acreditei, mas ele tinha falecido”.
De férias em 2016, o sacerdote teve um infarto súbito e faleceu aos 56 anos de idade. O processo para conseguir a relíquia continuou mesmo assim, inclusive com a transição dos párocos e dos bispos na cidade de Sinop. “Agora eu só tinha a palavra do Pe. Poiana, não tinha nada escrito. Eu tinha os e-mails, tinha foto com ele, mas eu não tinha nada escrito”, comentou Mari.
PROCESSO
DE ENVIO
Com a autorização do novo bispo, o processo seguiu diretamente com o novo reitor da Basílica que recebeu todo o material novamente e assumiu o compromisso do antigo reitor para enviar a relíquia ao Brasil, que chegou à cidade, com atraso, depois da construção e da dedicação da igreja. A relíquia, assim, acabou sendo guardada e, há pouco mais de 30 dias, chegou o Pe. Roberto Gotardo para finalmente concretizar o sonho de Mari Bueno e de milhares de devotos, já que são poucas as igrejas no mundo que conservam uma preciosidade como aquela proveniente da Itália.
DEPOSIÇÃO E
VENERAÇÃO
Na semana em que a Igreja recorda Santo Antônio, veio o pedido às pressas à artista plástica para fazer um relicário, projetado em formato circular, no mesmo mármore usado nos outros espaços idealizados por Mari Bueno no templo. No dia 13 de junho, então, em respeito às normas sanitárias por causa da pandemia, foi feita a deposição da massa óssea do padroeiro no relicário pelo bispo diocesano, Dom Canísio Klau.
“Que sejamos cada vez mais movidos pela santidade, que possamos viver também as virtudes de Santo Antônio e que ele seja o nosso grande intercessor na busca pela santidade, que é a vocação para a qual todos fomos chamados. Como nos pede o próprio Cristo Jesus, ‘sede santos como Eu sou santo’”.
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