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Relatório da ONU alerta para impacto ambiental crescente da inteligência artificial
09 de Junho de 2026 as 15h 42min
A evolução da inteligência artificial costuma vir acompanhada de uma promessa recorrente: modelos mais avançados serão mais eficientes, consumindo menos energia e recursos ao longo do tempo. Mas um novo relatório da Organização das Nações Unidas sugere que essa expectativa pode não se concretizar na prática.
Segundo o estudo, a expansão acelerada da IA pode fazer com que seu consumo energético global dobre até 2030, alcançando cerca de 3% de toda a eletricidade produzida no planeta.
O documento estima ainda que a atividade associada à tecnologia poderá gerar emissões comparáveis às do Reino Unido e demandar mais água para resfriamento de sistemas do que o volume anual de água potável consumido pela população mundial.
A análise se apoia em um conceito econômico conhecido como paradoxo de Jevons. A teoria sustenta que ganhos de eficiência não necessariamente reduzem o consumo total de um recurso. Pelo contrário, quando uma tecnologia se torna mais eficiente e barata, a utilização tende a crescer, elevando a demanda geral.
O fenômeno foi observado pelo economista William Stanley Jevons no século XIX, quando melhorias na eficiência do uso do carvão na Inglaterra acabaram estimulando um aumento do consumo, e não uma redução.
Aplicado à inteligência artificial, o relatório sugere que modelos mais eficientes poderão impulsionar ainda mais a adoção da tecnologia. Com custos menores e maior acessibilidade, novas aplicações surgiriam em diferentes setores, ampliando o uso dos sistemas e compensando (ou até superando), os ganhos obtidos com a eficiência técnica.
Diante desse cenário, a ONU propõe um conjunto de princípios para orientar o desenvolvimento sustentável da IA. Entre eles estão transparência, eficiência desde a concepção dos sistemas, responsabilidade ao longo de todo o ciclo de vida dos produtos, equidade, cooperação internacional e uso sustentável dos recursos naturais.
Os dados apresentados mostram a dimensão do desafio. Em 2025, data centers já consumiram um volume de eletricidade equivalente ao utilizado pela Arábia Saudita, um dos maiores consumidores de energia do mundo. O relatório projeto um cenário em que, caso o consumo dobre até o fim da década, seriam necessários aproximadamente 6,7 bilhões de árvores plantadas ao longo de dez anos para compensar as emissões.
Além da energia, a infraestrutura necessária para sustentar a expansão da IA exigiria cerca de 9,3 trilhões de litros de água e uma área física quase dez vezes maior que a Cidade do México.
O documento também chama atenção para a concentração da infraestrutura global de IA. Atualmente, apenas 32 países hospedam sistemas de computação em nuvem dedicados à tecnologia, e cerca de 90% dessa capacidade está concentrada nos Estados Unidos e na China.
Para os autores, essa concentração pode aprofundar uma divisão digital global. Enquanto algumas nações desenvolvem e controlam os sistemas de IA, outras ficam restritas ao papel de consumidoras da tecnologia, muitas vezes assumindo os impactos ambientais relacionados à extração de minerais e ao descarte de resíduos eletrônicos.
O relatório destaca que o impacto ambiental da IA depende tanto da frequência de uso quanto do tipo de aplicação executada. Tarefas como geração de texto, programação, criação de imagens e produção de vídeos exigem diferentes níveis de processamento computacional, o que influencia diretamente o consumo de energia e recursos.
Fonte: DA REPORTAGEM
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