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Terça Feira, 03 de Março de 2026

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SAÚDE: Medo e as “fake news” atrapalharam vacinação da gripe, dizem municípios

A meta nacional era chegar a 90% de imunização no país no grupo prioritário

16 de Janeiro de 2020 as 07h 00min

Foto: Divulgação

 

DA REPORTAGEM

Medo da vacina, percepção equivocada de que ela não protege, avanço de informações falsas e falta de dinheiro para transporte até o posto de saúde estão entre fatores citados pelos municípios para explicar a dificuldade em atingir as metas de vacinação de crianças e gestantes contra a gripe.

A avaliação é de 198 municípios ouvidos em um levantamento feito pelo Ministério da Saúde durante a campanha de vacinação no ano passado contra a influenza. Para fazer a pesquisa, a pasta mapeou cidades que apresentavam índices de cobertura abaixo de 70% para esses grupos após a data prevista para o fim da campanha.

A meta nacional era chegar a 90% de imunização no país no grupo prioritário –composto principalmente por idosos, gestantes, mulheres até 45 dias após o parto, crianças entre seis meses a menores de seis anos, indígenas, professores, trabalhadores de saúde, entre outros– o que só aconteceu após a campanha ser estendida para além do prazo inicial.

O levantamento foi feito por meio de formulário enviado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). De 517 municípios acionados, 198 responderam. Embora não representem uma explicação definitiva, os resultados ajudam a elencar algumas das hipóteses para a dificuldade em atingir as metas, situação que tem se repetido nos últimos anos.

Enquanto a cobertura geral do público prioritário para a vacinação foi de 91,5%, esse índice ficou em 84% para crianças e gestantes –que também fazem parte do grupo, mas –quando separados– apresentaram resultado abaixo do desejado.

O medo da população de possíveis eventos adversos à vacina é apontado como um fator de dificuldade para 77% dos municípios ouvidos. Outros itens apontados: percepção equivocada de que a vacina não protege (72%) e influência de informações falsas (51%). Mais de um item pode ser apontado por município. Entram na lista também fatores sociais, como falta de dinheiro para transporte e distância dos pontos de saúde.

A pesquisa também mapeou problemas operacionais. Entre eles, estão dificuldade para usar o sistema de registro de dados do governo federal, problema relatado por 35% dos ouvidos, material informativo insuficiente (18%), dificuldades no acesso à internet (14%) e baixo número de doses para vacinação (6%).

Agora, o ministério iniciará uma pesquisa para ouvir 14 mil pais de crianças menores de seis anos para confirmar os motivos da não imunização. "Temos essa percepção local do motivo pelo qual os gestores acreditam que as pessoas não tenham ido se vacinar. Precisamos verificar na pesquisa, que é mais científica, se os dados vão bater ou não", diz o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

O objetivo é ter subsídios para elaborar materiais de comunicação e políticas públicas sobre o tema. Para o diretor de doenças transmissíveis e imunizações, Júlio Croda, que acompanhou o trabalho, é preciso ver os dados com cautela por representar só uma parte dos envolvidos no processo.

"Parte desse discurso pode ser um subterfúgio do município por não ter atingido a meta. Pode ser que o gestor não assumiu seu papel mais atuante no sentido de ofertar a vacina em todos os horários possíveis, por exemplo. Por isso é preciso verificar a visão do usuário", diz.

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