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Saiba como uma “guerra quente” deve afetar a economia mundial
25 de Fevereiro de 2022 as 16h 00min
Guardas de fronteira ucranianos patrulham região fronteiriça – Foto: REUTERS/Antonio Bronic
Quedas expressivas nas bolsas de valores, altas generalizadas do dólar e escassez de produtos que já estão na berlinda, como petróleo e grãos, são alguns dos efeitos relacionados por analistas no cenário de guerra entre Rússia e Ucrânia.
A escalada nos últimos dias do conflito já vinham redesenhando as expectativas da comunidade internacional, e a leitura de que as ameaças do presidente russo, Vladimir Putin, de um ataque militar à Ucrânia poderiam evoluir para uma guerra se concretizou.
Os países entraram em choque nas primeiras horas da madrugada de quinta (24), após semanas de tensão. Uma operação militar nas regiões separatistas do leste ucraniano, explosões e sirenes foram ouvidas em várias cidades do país.
A rápida escalada das tensões já refletiu no mercado financeiro, com bolsas de valores despencando em diferentes países, aprofundando as quedas da véspera. Em Moscou, a bolsa suspendeu as negociações em todos os seus mercados nesta manhã por tempo indeterminado.
No mundo econômico, a simples tensão entre Rússia, Estados Unidos e potências europeias, uma troca de ameaças, embargos e tentativas de negociações que já se arrastam há meses, já foi o suficiente para fazer os primeiros estragos.
O preço do petróleo, do gás e de alimentos como trigo e milho, produtos dos quais Rússia e Ucrânia são fornecedores estratégicos, já estão em alta nos mercados internacionais, pressionando ainda mais os custos para o mundo inteiro. As principais bolsas do mundo também estão sofrendo. Em Nova York, o S&P 500 cai 11% desde o começo do ano e a Nasdaq, de tecnologia, despenca 17%.
A chegada às vias de fato de um conflito militar, ainda mais na saída de uma pandemia que abateu o planeta, pode piorar este cenário.
Segundo o economista-chefe da Órama, Alexandre Espirito Santo, o mercado não havia “comprado de fato” uma ‘guerra quente’. Mas, com a guerra, “o nível de estresse será completamente outro”.
O chefe da área de research da Ativa Investimentos, Pedro Serra, atribui à tensão no leste europeu uma primeira leva de fuga das bolsas de valores em direção a ativos de menos risco e também a pressão sobre os preços do petróleo e dos grãos nas negociações internacionais.
“Já havia uma aversão ao risco acontecendo, com os investidores buscando um porto seguro, e também uma transferência dos receios para os mercados de commodities”, diz Serra.
A tendência é que esse movimento se acentue agora, apesar de ainda ser cedo para avaliar como a situação será encaminhada nos próximos dias pelos países envolvidos no conflito, na avaliação do economista-chefe do Modalmais, Álvaro Bandeira.
“O mercado é movido a expectativa, ele não espera acontecer e já antecipou muita coisa. Mas o pior cenário, de uma guerra entre países, não tem limite. Os impactos podem ser muito piores”, acrescenta Serra.
Fonte: DA REPORTAGEM
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