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Sandman
12 de Agosto de 2022 as 08h 00min
Clássico absoluto de Neil Gaiman, Sandman passou por inúmeras tentativas de adaptação em live-action ao longo dos anos. Extremamente protetor em relação à trama que criou para a Vertigo, antigo selo adulto da DC Comics, o autor passou décadas dispensando e sendo dispensado por estúdios e produtores interessados na história de Morpheus e seus irmãos Perpétuos.
Mas, 34 anos depois do lançamento da primeira edição da HQ, a primeira adaptação televisiva oficial chega à Netflix e, embora não provoque o mesmo impacto que o quadrinho, mostra que a espera de Gaiman e dos fãs não foi à toa.
De forma geral, a série de Sandman segue a mesma trama que os quadrinhos: Sonho dos Perpétuos (Tom Sturridge) é capturado num ritual de magia das trevas por Roderick Burgess (Charles Dance), que o aprisiona por mais de um século.
Quando escapa, o Rei dos Sonhos parte em uma jornada para recuperar seu poder e seu reino. Mesmo com uma narrativa bem próxima do que nos foi apresentada há mais de trinta anos, a nova adaptação conta com mudanças pequenas, mas pertinentes, que dão um ar de novidade e que permitem que a história se traduza com naturalidade para a TV.
Coordenadas pelo próprio Gaiman, que comandou a série ao lado de David S. Goyer (Batman Despertar) e Allan Heinberg (Mulher-Maravilha), essas mudanças não alteram em quase nada a história de Sandman, limitando-se a dar uma personalidade mais marcante a alguns dos personagens que cercam Sonho. Com isso, Coríntio (Boyd Holbrook) e Desejo (Mason Alexander Park), por exemplo, assumem um papel antagônico mais explícito que nos gibis, enquanto Matthew (Patton Oswalt) e Lucienne (Vivienne Acheampong) têm mais espaço para manter Morpheus “na linha”.
O maior mérito da produção da Netflix é ter Gaiman entre seus principais arquitetos. O criador de Sandman usa sua liberdade criativa para atualizar personagens, cenas e situações icônicas sem deixar que a essência da história original se perca em meio a essas adaptações. O bom olho do autor para mudanças pode ser comprovado em “24/7”, capítulo que recria a emblemática história em que John Dee usa o Rubi de Sonho para torturar os fregueses de uma pequena lanchonete de beira de estrada. Mesmo que se desenvolva de forma diferente do que a das páginas, a narrativa surge tão angustiante quanto em sua versão original, apoiada na atuação arrepiante de David Thewlis.
É bom dizer, aliás, que as atuações de Sandman são algumas das melhores que já agraciaram as produções originais da Netflix nos últimos anos. Boyd Holbrook, por exemplo, aparece simplesmente aterrorizante como o Coríntio e não seria exagero considerá-lo para um Emmy em 2023. Apesar de não aparecer tanto quanto seus colegas de elenco, Kirby Howell-Baptiste também faz um trabalho tocante como a Morte. Doce, a atriz entrega uma Perpétua forte, porém compreensiva, e que nunca esconde seu fascínio pelo amor dos humanos pela vida.
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