Noticias
SEGUNDO FAMATO: "Impor moratória da soja no cerrado é uma afronta à soberania nacional"
Presidente critica pressão feita por grupo formado por 159 empresas internacionais
19 de Dezembro de 2020 as 13h 49min
Instituto Soja Livre também se posiciona em defesa do produtor brasileiro – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
A polêmica em torno da chamada “moratória do Cerrado” ganha mais um capítulo. Na última semana, diversas tradings ligadas à Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) receberam uma carta da SOS Cerrado, organização não governamental integrada por 159 empresas internacionais.
No documento, a coalizão dá um ultimato: não querem comprar soja de áreas desmatadas a partir de dezembro de 2020. Na quarta (16), a Abiove afirmou que não aceitará a moratória imposta pelas empresas, reforçando que não concorda com exigências que vão além da lei brasileira.
Na quinta (17), foi a vez de entidades que representam os produtores rurais em Mato Grosso se manifestarem. O presidente da Famato, Normando Corral, classificou a proposta como um “absurdo”. Em entrevista ao Canal Rural, ele afirmou que “impor a implantação de moratória no Cerrado é uma afronta à soberania brasileira”, já que o país possui um rigoroso código florestal que regulamenta o assunto.
O Instituto Soja Livre também usou o mesmo termo para criticar a “moratória do Cerrado”. O Instituto reforçou também que “programas de sustentabilidade avançam a cada ano para que a soja brasileira esteja cada vez mais enquadrada às leis ambientais e trabalhistas” e que a entidade “tem contato direto com os mercados internacionais, conhece as demandas e que, definitivamente, não há necessidade de organizações estrangeiras dizerem aos produtores brasileiros como eles devem trabalhar”.
Algumas das maiores tradings que atuam no país também se manifestaram sobre o tema. Em nota encaminhada ao Canal Rural a Cargill reforçou que a empresa “nunca hesitou quanto ao compromisso de eliminar o desmatamento e a conversão de áreas de vegetação nativa da cadeia de abastecimento de soja”. A empresa afirma que “segue firme na busca por soluções duradouras que protejam as florestas e a vegetação nativa do Cerrado, de forma economicamente viável para os agricultores, e que acredita que o envolvimento – e não a exclusão do produtor – seja fundamental para transformar esta cadeia”.
A Cargill afirma ainda que “está focada em soluções que enderecem as necessidades dos agricultores e as causas mais amplas do desmatamento, focando em todo o sistema, desde o uso da terra até o clima, mantendo a capacidade de renda dos agricultores, e que, assim – alimentará a população crescente, protegendo a terra e os recursos naturais”. O texto também destaca que “é preciso reconhecer que há uma crescente demanda global por soja livre de desmatamento e conversão, e que é fundamental para a economia agrícola brasileira que a indústria e os agricultores trabalhem juntos para acelerar esses esforços”.
A Cargill confirma que “não irá fornecer soja de agricultores que desmatam ilegalmente ou de áreas protegidas e que espera o mesmo em relação aos seus fornecedores”. O documento termina dizendo que “com a implementação total do Código Florestal Brasileiro e a colaboração efetiva de todas as partes será possível alcançar um fornecimento de soja totalmente livre de desmatamento e conversão, que forneça proteção ambiental, prosperidade para o agricultor e para a comunidade”.
Também em nota, a Bunge destacou que “não fornece soja de áreas desmatadas ilegalmente, divulgando – inclusive – o número de fazendas que não estão em conformidade com as exigências da empresa”. A companhia afirma que “se dedica à sustentabilidade de sua cadeia de suprimentos, relembrando que desde 2015 assumiu um compromisso público de eliminar o desmatamento dos seus fornecedores até 2025, compromisso que se estende para os fornecedores diretos e indiretos e também para áreas onde a conversão da vegetação nativa é permitida legalmente”.
Veja Mais
BTG Pactual retoma Pix após ataque hacker que desviou R$ 100 milhões
Publicado em 25 de Março de 2026 ás 16h 47min
Entenda como grupo preso em operação do Gaeco extorquia comerciantes de Sinop
Publicado em 25 de Março de 2026 ás 16h 37min
Sensação de 2025, Mirassol amarga sequência negativa e figura no Z4
Publicado em 25 de Março de 2026 ás 15h 47min
