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Setor de bioenergia movimenta R$ 586,6 mi em salários e impulsiona economia
16 de Outubro de 2026 as 04h 34min
Plena expansão da produção de etanol de milho – Foto: Divulgação
A expansão da Inpasa em Sinop acompanha o avanço da indústria de etanol de milho em Mato Grosso, setor que movimentou R$ 586,6 milhões em salários em 2025. O valor corresponde a 9% de toda a massa salarial paga pela indústria mato-grossense. Além disso, a cadeia de bioenergia, que reúne atividades ligadas ao processamento de cana-de-açúcar e milho, está associada a mais de 151 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos no estado.
Os dados fazem parte de um levantamento do Observatório de Mato Grosso, ligado ao Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), em parceria com o Sindicato das Indústrias de Bioenergia de Mato Grosso (Bioind-MT). O estudo dimensiona a importância econômica das usinas para além da produção de combustíveis, considerando também os efeitos sobre o mercado de trabalho e outras atividades que dependem da cadeia industrial.
Em Sinop, a Inpasa é um dos principais exemplos dessa expansão. A unidade integra o segmento de produção de etanol a partir de cereais e está entre os empreendimentos que ajudam a ampliar a capacidade industrial do estado. Em junho de 2026, a empresa anunciou uma captação de R$ 1 bilhão para financiar parte de um projeto de expansão estimado em R$ 1,64 bilhão na unidade sinopense, com previsão de implantação de duas novas plantas de etanol de cereais.
EMPREGOS INDUSTRIAIS
O levantamento mostra que o número de empregos formais na produção de biocombustíveis e açúcar cresceu 87% em Mato Grosso entre 2019 e 2025. No mesmo período, os demais segmentos industriais registraram aumento de 34%, evidenciando o ritmo de expansão da atividade.
Somente em 2025, as unidades industriais do setor empregavam formalmente 10.760 trabalhadores, o equivalente a 5,3% de todos os empregos formais da indústria estadual.
Quando são considerados os efeitos indiretos e induzidos sobre outros segmentos econômicos, como transporte, comércio e prestação de serviços, a estimativa ultrapassa 151 mil postos de trabalho relacionados à bioenergia.
Atualmente, Mato Grosso conta com 19 usinas em operação, distribuídas por 17 municípios. Juntas, elas produziram 7,3 bilhões de litros de etanol na safra 2025/2026, a partir do processamento de cana-de-açúcar e milho.
PRESENÇA INDUSTRIAL
Desde 2017, quando entrou em operação a primeira usina dedicada à produção de etanol de milho no estado, o setor acumulou R$ 27 bilhões em investimentos. A expansão continua: três novas unidades estão em construção e outras duas passam por ampliações, com aproximadamente R$ 6,8 bilhões em investimentos em andamento.
Para o presidente do Bioind-MT, José Fernando Mazuca Filho, a distribuição das usinas pelo território mato-grossense fortalece as economias locais, aproxima a indústria das regiões produtoras e amplia as oportunidades de negócios.
O impacto pode ser observado também em municípios menores. Em Alto Taquari, cerca de 90% dos empregos industriais formais estão ligados à fabricação de etanol e açúcar. Em Nova Olímpia, essa participação chega a 85%, com aproximadamente três mil pessoas trabalhando diretamente no setor de bioenergia.
Em Tapurah, onde uma usina de etanol de milho começou a operar em outubro de 2025, os efeitos alcançaram o comércio local. Segundo Flávio Anderson Breitenbach, presidente da Associação Comercial e Empresarial do município, a instalação da indústria movimentou setores como aluguéis, mercados e serviços, que registraram incremento de aproximadamente 30% nas vendas, conforme seu relato.
CENÁRIO DE DESAFIOS
Apesar dos investimentos e do crescimento do emprego, o setor enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, aos juros elevados e à volatilidade dos preços das commodities.
Segundo Mazuca, em alguns momentos as margens das indústrias ficam muito apertadas ou até negativas, uma situação que exige cautela na condução dos negócios.
Mesmo diante desse cenário, a cadeia de bioenergia continua investindo e buscando competitividade. A ampliação das unidades, o processamento de matérias-primas agrícolas e a geração de produtos derivados contribuem para diversificar a atividade industrial mato-grossense.
Com a presença de empresas como a Inpasa em Sinop e a implantação de novos empreendimentos em diferentes regiões, o etanol de milho ganha espaço na economia estadual. Os números de salários, empregos e investimentos mostram que o avanço do setor não se limita à produção de combustível: ele também movimenta fornecedores, serviços e comércio, ampliando a participação da indústria no desenvolvimento econômico de Mato Grosso.
Fonte: DA REPORTAGEM
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