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Sexta Feira, 28 de Agosto de 2026

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Soja ainda cobre custos, mas milho opera abaixo do ponto de equilíbrio

28 de Agosto de 2026 as 06h 32min

Fertilizantes pressionam o orçamento agrícola – Foto: Divulgação

Os custos de produção da safra 2026/27 continuam pressionando as margens dos agricultores de Mato Grosso. Levantamentos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram, entretanto, situações distintas para as duas principais culturas do estado: a soja ainda consegue cobrir as despesas operacionais, enquanto o milho apresenta preço abaixo do ponto de equilíbrio.

Os fertilizantes permanecem entre os principais responsáveis pelo encarecimento das lavouras. No caso do milho, o avanço das cotações do cereal não tem acompanhado o aumento dos custos, aprofundando o desafio para a rentabilidade dos produtores.

O custeio da soja foi estimado em R$ 4.323,22 por hectare, valor 3,39% superior ao calculado para a temporada 2025/26. A elevação foi impulsionada principalmente pelos fertilizantes, cujo gasto está projetado em R$ 1.993,21 por hectare. Somente os macronutrientes representam R$ 1.614,56 por hectare, o maior desembolso estimado dentro desse grupo de insumos.

O movimento reforça o peso da adubação sobre o orçamento da soja, especialmente em um estado com elevada demanda por produtos importados e forte exposição às oscilações do dólar e do mercado internacional.

O Custo Operacional Total (COT) da soja foi calculado pelo Imea em R$ 6.682,54 por hectare. Considerando uma produtividade projetada de 62,44 sacas por hectare, o produtor precisa receber R$ 107,02 por saca para cobrir essas despesas.

Em julho, o preço médio negociado para a soja da safra 2026/27 ficou em R$ 111,17 por saca. A cotação supera o ponto de equilíbrio em R$ 4,15 por saca, mantendo a atividade acima do nível necessário para pagar os custos operacionais.

A diferença, contudo, sinaliza uma margem restrita. Eventuais perdas de produtividade, novas altas dos insumos ou redução dos preços podem comprometer o resultado econômico da cultura.

O cenário é mais desafiador para o milho. Em julho, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.778,76 por hectare, aumento mensal de 0,30%. Os gastos com fertilizantes e corretivos cresceram 1,14% e atingiram R$ 1.550,19 por hectare. Em sentido contrário, os custos com defensivos diminuíram 0,10%, enquanto as sementes ficaram 0,51% mais baratas. Mesmo com essas reduções pontuais, o avanço dos fertilizantes manteve a estrutura de custos pressionada.

Fonte: DA REPORTAGEM

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