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SOJA MT: anomalia movimenta comunidade científica e preocupa agricultores
Casos começaram a ser relatados na última safra, mas aumentaram neste ciclo
09 de Fevereiro de 2021 as 05h 52min
Registrado apodrecimento de grãos e vagens no Médio Norte – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
Quando a máquina começou a colher a lavoura de soja na fazenda do agricultor Fábio Laier, em Sorriso, o resultado em uma das áreas deixou muito a desejar. “A perda no talhão está girando em torno de 25% a 30%. Aparentemente, as vagens estão bonitas, porém, no momento em que a gente abre, elas estão deterioradas”, conta.
O Fábio não foi o único a registrar o problema. Desde a última safra, casos semelhantes têm ocorrido em outras regiões do país, com maior frequência nos municípios de Sorriso, Ipiranga do Norte e Tapurah. Além de preocupar agricultores, a anomalia tem mobilizado a comunidade científica.
Segundo os pesquisadores, a principal característica é o apodrecimento de grãos e vagens a partir do estádio R5.4, quando a formação de grãos está entre 51 e 75%. A queda de produtividade gira em torno de 20% e a perda de qualidade dos grãos, pode gerar níveis de desconto que chegam a 30%.
Em comunicado à imprensa, a Embrapa diz que a hipótese da causa do apodrecimento de vagens está ligada a um conjunto de fatores relacionados ao ambiente desfavorável e à sensibilidade de determinadas cultivares. O documento explica que o ambiente desfavorável trata-se, muito provavelmente, de estresses térmicos, com elevadas temperaturas, associadas com déficit hídrico. Quanto às cultivares de soja, a Embrapa diz que as observações a campo sugerem existir variabilidade genética para sensibilidade a esse problema. O texto reforça ainda que, até o momento, não há evidências de que o problema seja decorrente de ataque de uma nova doença.
Enquanto a Embrapa segue com os estudos sobre a anomalia em parceria com outras instituições de pesquisas, a orientação é para que os agricultores adotem medidas que possam ajudar a minimizar o problema na próxima safra. Como explica o diretor-técnico da Fundação MT, Leandro Zancanaro.
“Existe uma correlação entre produtividade e sensibilidade da vagem quanto a alguns estresses. As características de composição das vagens mudaram com o tempo em função do potencial genético devido aos cruzamentos usados. A recomendação (para o próximo ciclo) é continuar selecionando materiais de altas produtividades, e tentar – dentro do possível – plantar em uma boa condição. É importante também seguir as pesquisas quanto ao uso de fungicidas neste caso, que amenizam o problema mas não resolvem, além de pensar num bom manejo de solo e de nutrição. Enquanto não sabemos a causa certa, temos que trabalhar com todas as estratégias de manejo para garantir uma boa lavoura”, conclui.
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