Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Quinta Feira, 26 de Março de 2026

Noticias

SOJA: Revendas temem risco de produtores não cumprirem contratos de entrega

Principal motivo: diferença entre atuais preços e os eram praticados à época que vendas foram feitas

29 de Dezembro de 2020 as 06h 29min

Legenda: Cerca de 66,5% já foram vendidos antecipadamente – Foto: José Roberto Gonçalves

DA REPORTAGEM

 

As lavouras de soja plantadas em Mato Grosso devem produzir quase 35,5 milhões de toneladas do grão nesta safra. Cerca de 66,5% já foram vendidos antecipadamente. A maior parte destas negociações foi feita ainda no primeiro semestre, quando os valores pagos pela oleaginosa com entrega prevista para março do ano que vem giravam entre R$ 70 e R$ 90 a saca. Valor até 60% abaixo do preço médio praticado para os contratos com o mesmo vencimento, fechados durante a primeira quinzena de dezembro. Diferença que preocupa quem revendeu insumos para receber o pagamento em grãos.

É o caso do empresário Salazar Marquetti, que possui 11 lojas em regiões agrícolas de Mato Grosso e Rondônia. “A preocupação principal vem dessa diferença de mercado entre quando foram efetuados os negócios para o que está acontecendo É uma diferença muito grande, e a revenda sempre trabalha muito ajustada. Nós mesmos já estamos com praticamente 100% do que ‘foi feito no campo’, comercializado junto com as tradings. Hoje não existe nenhum cliente que chegou para nós e disse ‘olha, vou ter problema, não vou poder entregar, não vou cumprir’. Então, com a soja a gente acredita que não vai ter problema… mas pode ocorrer, já que no meio da história sempre tem alguns que querem se aproveitar da situação”, comenta.

O Conselho Estadual das Associações de Revendas de Produtos Agropecuários, Cearpa-MT, confirma a apreensão e pede bom senso àqueles agricultores que – eventualmente – pensem em judicializar os contratos firmados com antecedência.

“Eu acho que o mercado tem que estar muito maduro, tanto da parte das tradings, quanto da parte da distribuição e – principalmente – do produtor rural, que a princípio poderia se beneficiar de uma quebra de contratos e se beneficiar de preços maiores. Mas a consequência disso é muito grave né. O sistema de distribuição não suportaria um ‘achout’ deste nível né. A gente fixou soja com as tradings, entregamos e estamos entregando os insumos e precisamos receber a soja na sua totalidade. O contrato é para ser cumprido e a gente continuar operando em uma situação normal. O produtor tem que ter essa consciência, honrar os seus compromissos. Eu acredito que é isso que vai acontecer apesar desse grande diferencial de preços”, analisa Antônio Botelho, que é empresário do setor e membro do conselho diretor do Cearpa-MT.

A preocupação com o risco de rompimento dos contratos não é uma realidade apenas em Mato Grosso. Representante de uma revenda em Pato Branco, no oeste do Paraná, o agrônomo Luiz Giovani Piovezana afirma que, por lá, o cenário é semelhante.

“A respeito dos contratos de soja, para a nossa região aqui é um pouco preocupante devido ao preço que fugiu um pouco do patamar de onde ele vinha. Trabalhou na casa dos R$ 75, R$ 80/saca e foi onde o agricultor fez contrato desta próxima safra. Então, nos preocupa porque já há rumores de que alguns agricultores falam de não entregar estes contratos lá na frente, devido à diferença do preço, que compensa pagar multas. A gente orienta para que ele entregue este contrato, tanto porque as cerealistas e as revendas que tem contratos com as tradings, elas também têm que entregar (os grãos). Então, seria um problema muito sério se não entregasse”, conclui.

Veja Mais

BTG Pactual retoma Pix após ataque hacker que desviou R$ 100 milhões

Publicado em 25 de Março de 2026 ás 16h 47min


Entenda como grupo preso em operação do Gaeco extorquia comerciantes de Sinop

Publicado em 25 de Março de 2026 ás 16h 37min


Sensação de 2025, Mirassol amarga sequência negativa e figura no Z4

Publicado em 25 de Março de 2026 ás 15h 47min


Jornal Online

Edição nº1765 - 26/03/2026