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‘Space Jam: Um Novo Legado’ mira errado a nostalgia e sacrifica LeBron James
13 de Agosto de 2021 as 07h 32min
Novo filme perde brilho por esconder original e não confiar no carisma dos Looney Tunes – Foto: Divulgação
Space Jam: O Jogo do Século (1996) não é um filme brilhante. A história, sobre alienígenas que querem escravizar os Looney Tunes caso ganhem um jogo de basquete, é um fiapo de narrativa pensado só para justificar o encontro de Pernalonga e Michael Jordan, um dos maiores atletas do mundo na época, em um mesmo cartaz. Mesmo assim, é uma produção até hoje amada por ter divertido crianças e adultos e ainda fazer sentido como sátira histórica.
É um fato que o maior jogador de basquete da história dos Estados Unidos se aposentou do esporte para jogar beisebol, por mais bizarro que isso soe. Por que não imaginar que desenhos animados desesperados foram os responsáveis por trazê-lo de volta às quadras? Esse equilíbrio entre realidade e absurdo foi o que sustentou a emoção por trás da fantasia em O Jogo do Século; algo que Space Jam: Um Novo Legado não consegue replicar.
Desta vez, não são os Looney Tunes que precisam da ajuda de um astro da NBA para salvar a própria pele, mas um astro da NBA que precisa dos Looney Tunes (ou quase isso). Depois que é sugado para dentro do servidor da Warner Bros. Pictures junto do seu filho do meio, Dom James (Cedric Jones), o craque do basquete LeBron James precisa enfrentar o time do vilão Al-G Ritmo (Don Cheadle) dentro de um videogame desenvolvido pelo garoto. O prêmio? Ser reunido com Dom e transportado de volta ao mundo real. Sem colegas de bola para jogar ao lado dele e arremessado no esquecido mundo de Pernalonga e companhia, ele recorre ao coelho para navegar o multiverso do estúdio e convocar o Tune Squad.
O maior chamariz dessa premissa é, como mostrado à exaustão em trailers e outros materiais promocionais, a possibilidade de colocar LeBron e os Looney Tunes em contato direto com as grandes franquias que a Warner detém. E as referências são muitas: Batman: A Série Animada (1992), Superman: A Série Animada (1996), Mulher-Maravilha 1984 (2020), Matrix (1999), Austin Powers - Um Agente Nada Discreto (1997), Rick e Morty (2013), King Kong (1933), Game of Thrones (2011), e até filmes clássicos como Casablanca (1942), só para citar algumas. Só que, além das interações serem superficiais e corridas (se parecendo mais com alavancas para modernizar os personagens clássicos), o mais óbvio e chamativo gancho à disposição acaba ignorado: o próprio Space Jam: O Jogo do Século.
Não é como se Um Novo Legado dissesse que O Jogo do Século nunca existiu, afinal há três referências bem diretas ao filme com Michael Jordan (uma delas é, inclusive, uma das melhores piadas da sequência), mas é como se LeBron, um jogador de basquete retratado como fã dos Looney Tunes, nunca tivesse ouvido falar na produção que junta as duas coisas que ele mais ama. Para piorar, os próprios personagens animados deixam claro que se lembram de tudo que aconteceu em 1996, então por que não investir nessa nostalgia e justificar o resgate do lendário Tune Squad com sua glória do passado? Em uma decisão narrativa bizarra, isso não acontece: LeBron acaba aceitando jogar ao lado dos personagens por falta de opção, e não admiração, e se quebra mais uma chance de refletir, dentro da tela, a realidade de fora.
Se o drama da vez fosse como o de 1996, guiado pelos Looney Tunes, isso não seria um problema tão grande. Michael Jordan não era um ator melhor que LeBron, mas ainda é lembrado com carinho como a peça-chave para a vitória que salvou a vida dos personagens animados. Só que o novo filme erra de novo ao inverter também a âncora emocional da história: no centro de tudo não está o destino de Pernalonga, Patolino, Piu-Piu, Frajola, Lola e os demais cartuns, mas sim o funcionamento de uma relação bem pouco convincente entre LeBron e o elenco de apoio que interpreta versões fictícias de sua família. Só que nos anos 1990 era mais fácil convencer o público que um grupo de atores era esposa e filhos de Jordan. Isso não se repete no mundo hiperconectado de 2021.
Fonte: DA REPORTAGEM
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