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SUINOCULTURA: Preço é o maior da história, mas rentabilidade deixa a desejar
Efeito positivo foi anulado pelo aumento ainda mais expressivo dos custos de produção
28 de Agosto de 2020 as 06h 30min
Aumento no custo de produção foi puxado pela alta do milho e farelo de soja – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
Nunca o suíno esteve tão valorizado em Mato Grosso. Nesta semana, o preço do quilo-vivo chegou a R$ 6,06 em média no estado. Alta de quase 67% em relação ao valor praticado há um ano, R$ 3,63/kg. O salto reflete o aquecimento da demanda pela proteína. As vendas no mercado interno voltaram a reagir depois da queda provocada pela pandemia, que derrubou os abates, especialmente em abril. Já as exportações, vivem um momento histórico. De janeiro a julho, o estado embarcou mais de 20 mil toneladas de carne suína. Volume 171% maior que o exportado no mesmo período de 2019. A china foi o destino de 81% destas vendas, segundo o Imea.
Mas, nas granjas, o bom momento não se traduz em rentabilidade, de acordo com a associação que representa os criadores no estado. “O reajuste do preço do milho e do farelo de soja foi muito maior do que o valor do suíno. Então nosso poder de compra diminuiu bastante” explica Itamar Canossa, presidente da Acrismat.
Os gastos com a alimentação representam 76% dos custos do suinocultor, que viu o milho – principal componente da ração – ficar bem mais caro. No estado que mais produz o grão no país, a saca custa hoje R$ 41,72 em média. O valor é 80% superior ao praticado há um ano. Diferença que pesa no bolso do criador. Em julho do ano passado, era preciso 5,48 kg de suíno para comprar uma saca de milho. Em julho deste ano, 7,29 kg.
“Hoje só não se tem um grande colapso na questão dos custos da suinocultura porque os preços dos suínos subiram nos últimos dois meses de maneira acelerada. Então, para os próximos meses é importante também ficar de olho nesta relação de troca e nas estratégias que os suinocultores podem adotar a partir de agora na compra do milho, porque a gente sabe que essa mudança estrutural que está havendo na demanda por este cereal aqui em Mato Grosso – com a demanda das indústrias de etanol de milho e as exportações favoráveis – a gente tende a ter uma subida nos preços do milho ainda”, comenta o superintendente do Imea, Daniel Latorraca.
A forte procura pelo grão tanto dentro quanto fora do Brasil e a antecipação das vendas das próximas safras a níveis nunca antes vistos, reforçam a preocupação dos criadores com o futuro da atividade. Para a Acrismat, o suinocultor mato-grossense, que estava acostumado com a ampla oferta do cereal durante a maior parte do ano, terá que pensar em antecipar as compras e a investir em estrutura para armazenar o grão.
“É interessante que formem contratos antecipados, fixem preços e de certa forma busquem tentar fixar os custos de produção para o ano que vem. O passo seguinte é a questão da estocagem. Num segundo momento, o produtor tem que pensar em construir a própria estocagem na granja. Há linhas de crédito para isso, é totalmente viável essa questão. Isso pode ser a diferença futura numa questão de falência ou de sucesso na atividade suinícola”, reforça Itamar Canossa.
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