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União Brasil decide apoiar Pivetta e expõe racha interno em convenção
01 de Agosto de 2026 as 10h 58min
A convenção aprovou a aliança com Republicanos por 30 votos a 19 - Foto: Divulgação
A convenção estadual do União Brasil, realizada nesta semana, oficializou o apoio da legenda à pré-candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Governo de Mato Grosso. A proposta de coligação venceu por 30 votos a 19 a tese defendida pelo senador Jayme Campos (União), que buscava a homologação de uma candidatura própria. Houve ainda um voto nulo e um convencional não participou da votação.
A decisão foi tomada após horas de embates entre as principais lideranças do partido. A convenção foi marcada por questionamentos sobre a validade do pedido de coligação, cobranças por maior transparência no processo de votação, acusações de traição e trocas públicas de críticas entre integrantes da legenda.
Ao chegar ao evento, Jayme demonstrou confiança na vitória e afirmou acreditar no apoio da maioria dos convencionais. "Tenho certeza que vou ganhar essa convenção e vamos ganhar o Governo de Mato Grosso", declarou.
Pouco depois, o deputado estadual Júlio Campos fez um apelo aos delegados com direito a voto para que o União Brasil mantivesse uma candidatura própria ao Palácio Paiaguás. Segundo ele, a legenda não deveria abrir mão do protagonismo eleitoral. "Não podemos deixar o nosso partido morrer. Precisamos de um partido forte, que tenha candidatura própria", afirmou.
O clima ganhou novos contornos quando o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico César Miranda chegou vestindo uma camisa do antigo PFL, legenda que deu origem ao Democratas antes da fusão que criou o União Brasil. Ao justificar a escolha, afirmou que pretendia lembrar a trajetória histórica do partido e criticou parte da atual condução da legenda. "Essa é uma época em que o partido pensava no povo e não era infestado de traidores", disse.
Durante a convenção, Júlio Campos também questionou a existência de um pedido formal do Republicanos para a formação da coligação. Segundo ele, a executiva estadual não teria recebido qualquer proposta oficial nesse sentido.
A declaração foi rebatida pelo presidente estadual do União Brasil e governador Mauro Mendes, que apresentou um requerimento protocolado em 24 de julho manifestando interesse na aliança com o Republicanos para apoiar a candidatura de Pivetta. Mendes afirmou ainda que o procedimento havia sido submetido previamente à análise jurídica da direção nacional da legenda.
Em outro momento da convenção, Jayme Campos pediu que a forma de votação fosse submetida aos convencionais para garantir, segundo ele, maior transparência ao processo.
Mauro respondeu afirmando que o estatuto partidário permite que qualquer filiado apresente propostas à convenção e que a votação secreta estava prevista nas normas internas do partido. Segundo ele, tanto a candidatura própria quanto a proposta de coligação atendiam aos requisitos estabelecidos pela legenda.
A tensão aumentou quando o deputado estadual Dilmar Dal Bosco afirmou nunca ter visto o partido apoiar um candidato de outra legenda em detrimento de um nome do próprio União Brasil. "Eu nunca vi o partido trair o partido", declarou.
Mauro Mendes rebateu a afirmação e disse que alianças desse tipo fazem parte da história política da legenda desde os tempos do PFL. O governador classificou a declaração de Dilmar como equivocada e afirmou esperar uma retratação do parlamentar.
Dilmar respondeu dizendo que jamais foi desleal ao partido ou ao governo e sustentou que apenas defendia o direito de o União Brasil disputar o Executivo estadual com candidatura própria.
Ao final da apuração, a proposta de coligação foi aprovada por maioria. Em discurso de encerramento, Mauro Mendes agradeceu aos convencionais e confirmou que o partido seguirá ao lado do Republicanos na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
Derrotado, Jayme Campos criticou duramente o resultado. O senador afirmou que a convenção foi influenciada pelo "poder econômico", voltou a falar em traição e disse que a disputa não ocorreu em condições de igualdade. "Prevaleceu o rolo compressor. Não foi uma eleição transparente nem republicana. Jaime Campos jamais vai vender sua dignidade", declarou.
A decisão encerra uma das disputas internas mais intensas da história recente do União Brasil em Mato Grosso e consolida o apoio da legenda ao projeto eleitoral liderado por Otaviano Pivetta na sucessão estadual de 2026.
Fonte: CLEMERSON MENDES
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