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VERA: Agricultores tiram do bolso para reformar ponte de madeira
Depois de aguardar quase 2 anos pela obra, eles decidiram fazer o serviço por conta própria
06 de Janeiro de 2021 as 08h 00min
Ponte sobre o Rio Engano apresentava problemas há cerca de 2 anos – Foto: Silvano Filipetto
DA REPORTAGEM
Cansados de esperar por uma solução, produtores rurais de Vera resolveram tirar dinheiro do próprio bolso para consertar a ponte de uma estrada que dá acesso a fazendas do município. A ponte tem cerca de 12 metros, é de madeira e fica na chamada Linha Capelari, garantindo a passagem de veículos sobre o Rio Engano.
Segundo o agricultor Silvano Filipetto, a decisão foi tomada diante da demora da gestão municipal de Vera em solucionar o problema. “Já faz uns dois anos que eu estou pedindo para a prefeitura vir arrumar esta ponte. Eu já implorei para eles virem aqui. Falaram que viriam, que tinham boa vontade… Mas nós estamos até hoje [esperando]. A ponte está podre, está caindo já e eu desisti de pedir. Não aguentei mais. Meu vizinho está querendo colher soja, vai dissecar a lavoura de pivô daqui a alguns dias e nós precisamos arrumar esta ponte”, afirma.
A substituição das madeiras que estavam danificadas foi feita neste fim de semana e custou cerca de R$ 41 mil. Além de Filipetto, outros três agricultores participaram da “vaquinha” para pagar os gastos da obra: Valmir Rubio, Hélio Gatto e Bruno Capelari. Juntos, eles plantam entre 5 e 6 mil hectares de soja naquela região do município e precisam transportar a produção pela Linha Capelari.
“O produtor rural paga Fethab, paga ICMS, um monte de imposto e ainda tem que pagar para fazer isso aqui [a reforma da ponte]. Isso é um absurdo, não pode acontecer! Além dos impostos que a gente paga, ainda temos que fazer por conta uma ponte dessa, que o município e o estado deveriam resolver. Estou indignado”, desabafa Filipetto.
Nós entramos em contato com a prefeitura de Vera, comandada pelo também produtor rural Moacir Giacomelli (reeleito nas últimas eleições com mais de 72% dos votos válidos). A informação repassada pelo secretário de Administração e Finanças, Roberto Dambrós, é de que – por enquanto – o prefeito não irá se manifestar sobre o caso.
FETHAB
Um dos principais motivos de revolta dos produtores é o destino dado aos recursos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). O fundo é recolhido sobre a comercialização de soja, milho, algodão, madeira, bovinos (Fethab Commodities) e sobre o óleo diesel (Fethab Combustível). Só este ano, segundo a Secretaria de Fazenda de Mato Grosso, o estado arrecadou R$ 2,322 bilhões com o imposto.
Só que, desse montante, apenas parte do que foi arrecadado no Fethab Combustível é repassado aos municípios. Do valor total (R$ 606,7 milhões), 17,5% vão para os poderes (Judiciário, Legislativo, Procuradoria de Justiça e Tribunal de Contas). Do restante, metade fica com o estado e a outra metade é repassada para os gestores municipais.
No caso de Vera, o valor mensal gira de R$ 90 mil a R$ 104 mil, de acordo com o Secretaria de Administração e Finanças. Em 2020, o dinheiro do Fethab garantiu aos cofres públicos do município cerca de R$ 1,19 milhão.
Já o valor arrecadado sobre as commodities (R$ 1,718 bilhão) fica exclusivamente sob responsabilidade do estado, que atualmente tem obrigação de gastar pelo menos 30% em obras de infraestrutura e logística.
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